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Guerra de palavras na conferência de paz para a Síria

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Guerra de palavras na conferência de paz para a Síria

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Um clima de tensão, com acusações de traição e apelos para a partida de Bashar al-Assad, marcou o arranque da conferência de paz para a Síria, realizada em Montreux, na Suíça.

Não foi preciso muito tempo para perceber o fosso gigantesco que ainda separa o regime e a oposição síria no exílio. Grandes potências e negociadores sírios recusaram-se a abandonar as suas posições.

“Precisamos de negociar com a realidade. O consenso mútuo para um Governo de transição, que foi o que nos trouxe aqui, significa que o Executivo não pode ser formado por alguém que mereça objeções de um lado ou do outro. Isto significa que Bashar Al-Assad não vai fazer parte do Governo de transição. Nem em sonhos, o homem que liderou esta resposta brutal contra o seu próprio povo pode ganhar a legitimidade para governar”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

“Queremos saber se temos um parceiro sírio nesta sala preparado para deixar de ser uma delegação de Assad para ser uma delegação nacionalista como a nossa. Peço-lhes que assinem imediatamente o acordo Genebra 1 na presença de todos vós, para que possamos transferir os poderes de Assad, incluindo os poderes executivos, a Segurança, o exército e a inteligência para um Governo de transição que vai ser a primeira pedra para a construção da nova Síria”, disse o líder da oposição síria, Ahmed Al-Jarba.

O chefe da diplomacia síria, Walid Al-Moualem, respondeu ao secretário de Estado norte-americano, dizendo que apenas os sírios têm o direito de conferir ou retirar a legitimidade a Bashar al-Assad. “A Síria independente vai fazer o que for preciso para defender-se a si mesma, da forma que considerar apropriada, sem tomar em consideração as declarações e as posições tomadas por alguns. Estas decisões são apenas sírias e vão continuar a sê-lo. Se estão verdadeiramente preocupados com a situação humanitária e as condições de vida na Síria, deixem de intrometer-se, de introduzir armas na Síria e de apoiar os terroristas”, realçou.

“Tentativas de impor quaisquer modelos de reformas em países do Médio Oriente e Norte de África a partir do exterior, quaisquer tentativas de engenharia social vão provocar regressões nos progressos conseguidos e vão dificultar o processo de modernização política e económica e não temos de olhar para esses exemplos. Uma vez mais, eu peço a todos os jogadores externos para obedecerem aos princípios do Direito Internacional e do respeito pela soberania”, apelou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov.