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Ucrânia: A vida na Praça Maidan à margem dos protestos

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Ucrânia: A vida na Praça Maidan à margem dos protestos

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Anna tem 28 anos. Ela não toma parte ativa nos protestos que desde finais de novembro são recorrentes na praça Maidan, em kiev, contra o governo do Presidente Viktor Yanukovich e a favor da associação com a União Europeia. Mas Anna também não está diferente.

Todos os dias, ela vai ao supermercado e compra alguma comida e outros bens de primeira necessidade para as pessoas que praticamente há dois meses estão a viver na praça da Independência de Kiev, a já famosa Praça Maidan.

Na rua, são improvisadas cantinas a céu aberto onde os alimentos levados por Anna são preparados e servidos de forma gratuita aos protestantes. Ela está do lado deles. Não de forma ativa, mas a apoia-los.

“Não posso ficar de braços cruzados. Também vivo em Kiev”, assume Anna, explicando como intervêm de forma indireta nos protestos pró-Europa: “Vejo na internet o que os protestantes precisam. Às vezes é café ou chá, outras são medicamentos. Eles vivem aqui e precisam de apoio.”

A vida na praça Maidan não é fácil. É inverno, as temperaturas são negativas. Mesmo de dia. Os protestantes, mesmo assim, não arredam pé da praça. Muitos estão ali há dois meses e ali passaram, por exemplo, o Natal. Eles precisam de apoio. Anna sente-se na obrigação de ajudar.

Mas nem toda a gente, entre os residentes em Kiev, está feliz com os protestos. Entre ucranianos que vivem na zona circundante da Praça Maidan há vozes discordantes.

Viktor, por exemplo, critica “o ruído constante e o fumo”. “É impossível viver aqui. Sou contra o caos. Se se quer manter o protesto, por favor, estejam à vontade. Mas não perturbem a vida das outras pessoas”, reclama.

Outro residente na zona, que não se quis identificar, vê as coisas de forma diferente de Viktor. “Está tudo bem! As pessoas estão a lutar pelos seus direitos e isso está certo. A mim não me chateiam nada”, defende este outro.

O som de batidas, que mais parecem marteladas, é frequente. A verdade é que toda a zona, sobretudo a rua Hrushevskoho, está muito longe do que era, por exemplo, há um ano atrás. Os incêndios, a destruição, os destroços, tudo transfigurou a zona. Vai ser preciso muito para a vida voltar um dia ao normal na Praça Maidan.