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Kiev mantém ritmo normal de vida ao largo da Praça Maidan

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Kiev mantém ritmo normal de vida ao largo da Praça Maidan

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Ao mesmo tempo que há ucranianos que há dois meses não arredam pé da Praça Maidan, mantendo as posições do protesto antigoverno, existem outros que tentam seguir com as suas vidas ao largo das zonas onde se têm registado os confrontos com a polícia antimotim, a Berkut.

Nos bairros mais afastados das zonas de maior tensão da capital ucraniana, as papelarias mantêm-se abertas, as pessoas param para tomar uma bebida quente em plena rua e até uma professora encontrámos, que, mesmo afetada por tudo, têm ido trabalhar todos os dias.

“Estou a aguentar-me como uma verdadeira cidadã de Kiev – na guerra como na guerra”, contou aos microfones da euronews uma médica com quem nos cruzámos e que nos garantiu que “a vida continua como dantes”. “Claro que estamos preocupados. Queremos que tudo termine em bem”, concretizou.

Num quiosque de rua, conversámos com o empregado que até, de certa forma, agradeceu o movimento que tem havido desde o início dos protestos há dois meses: “Estou a trabalhar aqui há muito tempo. Os protestos não afetaram o meu local de trabalho. Aliás, até ajudaram porque temos servido muito chá. Até a polícia, a Berkut, já aqui veio algumas vezes.”

Não tão satisfeita encontrámos uma professora de inglês. “Todos os dias, quando vou para o trabalho, penso que o faço não vale nada perante o risco de perdermos esta batalha. Tudo perde sentido”, lamentou, confessando: “Isto está a afetar-me muito, por isso, todo o tempo livre que tenho, passo-o na praça Maidan.”

Nos últimos dias, com a aproximação do governo às exigências da oposição, os confrontos pararam no centro de Kiev. Enquanto não são conhecidas os resultados das negociações que prosseguem no parlamento entre os responsáveis políticos de ambas as partes, as pessoas têm tido tido tranquilidade para pensar mais friamente no que se está a passar. Algumas sondagens indicam que 65 por cento dos habitantes de Kiev estão do lado dos protestantes e concordam com a ocupação da Praça Maidan.

Apesar de tudo, e no que a esta reportagem diz respeito, a vida prossegue o seu rumo ao largo das zonas de maior tensão de Kiev. Isso mesmo testemunhou o correspondente da euronews na capital a Ucrânia, Sergio Cantone, que não muito longe “da zona de maior tensão onde se deram os confrontos” encontrou “pessoas que continuam a fazer as suas vidas e a ir trabalhar todos os dias normalmente.”