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Frio em Kiev não arrefece protestos mas terá levado Yanukovich a adoecer

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Frio em Kiev não arrefece protestos mas terá levado Yanukovich a adoecer

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O centro de Kiev, e em particular a zona de tensão que inclui a Praça Maidan, a cada dia que passa mais se assemelha a um campo de guerra. As bandeiras, na sua maioria da Ucrânia e da União Europeia, parecem demarcar quem controla aquele o território.

O tempo é de tréguas em Kiev, por isso, como se estivessem num exército que precisa de se manter pronto para ação, os protestantes procuram manter-se em movimento e alguns executam alguns exercícios militares conjuntos. É uma forma de combaterem as baixas temperaturas que na manhã desta quinta-feira atingiam na Ucrânia os 21 graus negativos.

Vindo da cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia, para participar nas manifestações antigoverno em Kiev, Olexande R. sublinhou à euronews o facto de não ter “qualquer casaco vestido”, considerando, até, a temperatura como uma aliada dos protestantes. “O frio não nos assusta. Estamos à espera, sim, é que congele a polícia no parque Mariinskiy. Quanto mais frio estiver, melhor para nós”, rematou.

Do outro lado das barricadas, os elementos da Berkut, a polícia de intervenção, mantém-se igualmente firmes, resistindo às baixas temperaturas. Tudo parece resumir-se, por estes dias, a um jogo de paciência que esperou pela votação de quarta-feira no parlamento e aguarda agora pelo que ainda poderá vir a sair das negociações ainda em curso entre os partidos da oposição e o governo presidido por Viktor Yanukovich. Para já, foi apenas aprovada, mas ainda não ratificada pelo presidente, a aministia para os detidos em consequência dos protestos dos últimos dois meses.

A votação da amnistia teve a aprovação dos deputados fiéis ao governo, com a oposição a abster-se por não concordar com a condição imposta pelo executivo de apenas aplicar a amnistia contra a garantia de abandono por parte dos manifestantes, no prazo de duas semanas, dos edifícios administrativos do Estado que foram, entretanto, invadidos em Kiev.

Nas ruas, a aprovação da amnistia também parece longe de satisfazer. “É claro que a aprovaram. Parece um passo a nosso favor, mas estas leis são uma mentira”, acusou Oleh, um residente de Kiev que tem participado nos protestos e que garante que “as pessoas não confiam” nestas leis. E explica porquê: “Acima de tudo, é preciso perceber que o que estamos a defender são os nossos direitos constitucionais e, nesse sentido, nem sequer percebemos porque precisamos sequer de uma amnistia.”

Os protestantes, ao mesmo tempo que questionam a amnistia aprovada, continuam a exigir a renúncia de Viktor Yanukovich. O presidente, porém, não abdica. E isso mesmo terá garantido a Catherine Ashton, a alta representante para a Política Externa e Segurança da União Europeia, que está de visita à Ucrânia, onde chegou na terça-feira à noite e que, depois de se reunir com Yanukovich, tem previsto encontrar-se também com os líderes da oposição para debater estratégias de conduzir ao fim do conflito que ao longo das últimas semanas têm transformado o centro de Kiev num autêntico campo de batalha.

O presidente da Ucrânia fez saber, entretanto, que adoeceu com problemas respiratórios, porventura devido às baixas temperaturas em Kiev, e meteu baixa. Algumas pessoas veem nesta súbita doença apenas uma forma de atrasar a assinatura da nova lei de amnistia e o resto do processo negocial com a oposição.