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Ucrânia: Protestos vão manter-se com eleições dependentes da Constituição

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Ucrânia: Protestos vão manter-se com eleições dependentes da Constituição

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Os protestos antigoverno deverão manter-se na Ucrânia, nomeadamente na Praça Maidan (r.: Independência), em Kiev, e a realização de eventuais eleições podem acontecer em outubro se se chegar a um acordo para rever a Constituição e reduzir o poder do Presidente. Estas são as opiniões recolhidos pela euronews junto de dois observadores bem próximos do conflito que opõe uma boa parte da Ucrânia ao governo do Presidente Viktor Yanukovich.

Com o centro de Kiev a viver há cerca de uma semana um período de tréguas nos confrontos entre protestantes e forças polícias que nas últimas semanas transformaram a zona num autêntico cenário de guerrilha urbana, o diretor executivo da Fundação Renascença, uma organização não-governamental ucraniana, é da opinião que este momento de aparente paz poderá será sol de pouca dura.

“Acredito que as manifestações vão continuar e que em Maidan se vão manter as atividades de protesto. Acho pouco provável que as pessoas que ocupam os edifícios administrativos aceitem devolve-los”, defendeu Yevhen Bystrytsky, referindo-se aqui, aqui, à exigência que o governo anexou à lei de amnistia aprovada quarta-feira à noite para os detidos em consequência dos protestos iniciados há dois meses. Nessa adenda, o governo de Yanukovich exige o abandono pelos manifestantes, no espaço de duas semanas, dos edifícios administrativos invadidos nas últimas semanas com o objetivo de que esses serviços públicos possam ser retomados.

Os protestantes, contudo, não parecem abertos a essa devolução e a polícia mantêm-se firme nas ruas, a aguardar esse recuo pedido pelo governo e atenta a eventuais novos focos de atividade. Os manifestantes, por seu lado, parecem estar mais preocupados por estas horas em combater as temperaturas negativas que se têm abatido sobre Kiev. A exigência da queda de Yanukovich mantém-se bem viva no seio da Praça Maidan e no topo das prioridades negociais dos protestantes, que também querem ver revista a Constituição da Ucrânia

Para Myhaylo Pohrebinsky, analista político próximo do presidente Yanukovich, “mesmo que venha a ser acordada a redução do mandato presidencial em meio ano” – algo que este observador garante que tem recetividade por parte do Presidente – “as eleições só poderão avançar quando a Constituição for alterada”. “Conseguido esse passo, as eleições poderão ser marcadas para outubro”, antecipou Myhaylo Pohrebinsky, sem abordar a possibilidade da eventual renúncia exigida a Yanukovich.

Também observador privilegiado na Ucrânia, o correspondente da euronews em Kiev tem notado as crescentes dificuldades de avanço das negociações entre governo e oposição. “Nenhum país da comunidade internacional terá interesse em que o conflito na Ucrânia se transforme numa guerra civil. Por isso, cabe a essa mesma comunidade internacional colocar pressão sobre as partes em conflito, de forma a leva-los a encontrar o caminho de um acordo político e institucional na Ucrânia”, afirmou Sergio Cantone.