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Padre acusa movimento islâmico de matar 75 pessoas

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Padre acusa movimento islâmico de matar 75 pessoas

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A República Centro-Africana continua mergulhada no caos e cada vez mais afogada num ambiente de salve-se quem puder. Com as pilhagens a revelarem-se agora o principal problema em Bangui, os confrontos entre rebeldes cristãos e islâmicos prosseguem um pouco por todo o país e um padre acaba de reportar a morte de pelo menos 75 pessoas em Boda, uma cidade situada 100 quilómetros a oeste da capital.

De acordo com o padre Cassien Kamatri, as mortes aconteceram na sequência da chegada de um grupo rebelde afeto ao movimento islâmico Séléka, que ergueu barricadas nos acessos à cidade e começou a atacar membros da comunidade cristã. A maior parte das vítimas, acrescentou o padre, eram cristãos, mas como os muçulmanos foram rapidamente enterrados não foi possível perceber o número real de mortos em Boda, que poderá ser ainda superior aos 75 anunciados.

Cassien Kamatri disse ter solicitado ajuda às forças internacionais de paz presentes no país com autorização da ONU, nomeadamente as francesas e a MISCA – os militares da União Africana -, mas não obteve, garante, qualquer resposta.

Os confrontos entre cristãos e muçulmanos intensificaram-se nas regiões mais afastadas da capital durante as últimas semanas, depois de as forças islâmicas afetas ao Séléka se terem retirado de Bangui.

Com essa retirada e a maior presença das forças de paz, a violência na capital foi reduzida de forma considerável, mas por outro lado aumentaram as pilhagens às casas que têm sido abandonadas pelos que fugiram aos confrontos. Em especial as casas e lojas de famílias muçulmanas. Controlar estes roubos é agora uma das principais preocupações das autoridades em Bangui.

Um residente na capital, George, confessou-se “desolado”. “Estamos todos assustados, não há paz. Perdemos as nossas casas e estamos a perder as pessoas. Precisamos rapidamente que a paz seja reposta”, apelou.

Um outro habitante de Bangui, Graceadieu Bangara, têm tentado aproveitar tudo o que encontra, nomeadamente através de saques. Segurando um motor com um género de hélice ou ventoinha, justifica-se: “Já viram como é a vida aqui? Já viram como vivo? Posso vender esta ventoinha por 700 ou mil francos (CFA; cerca de 1 a 1,5 euro) e com isso dar de comer ao meu filho.”

Mais de seis mil militares das forças internacionais de paz estão na República Centro-Africana, mas incapazes de controlar a violência e agora as pilhagen. Em breve, mais um contingente de cerca de mil militares, cuja operação está a ser preparada pela União Europeia, deverá chegar àquele país, onde os confrontos étnicos e religiosos se mantêm desde o golpe de estado de março do ano passado e que já levaram a fuga de um milhão de pessoas. Desde o início de dezembro, altura em que se intensificaram os confrontos após o afastamento do presidente muçulmano Michel Djotodia, terão morrido mais de mil pessoas na República Centro-Africana.