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Moldávia: Embargo russo trava os brindes

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Moldávia: Embargo russo trava os brindes

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Victor Bostan é produtor de vinho e aproxima-se de uma encruzilhada. O mesmo acontece com a Moldávia: o país vai seguir em direção ao leste ou ao oeste? A Rússia intensifica a pressão para que o pequena nação abandone o caminho em direção à Europa.

Victor Bostan recebeu uma má notícia em setembro: enquanto a Moldávia negociava um acordo de parceria com a União Europeia, Moscovo parou a importação de todas as bebidas alcoólicas feitas na Moldávia devido a problemas de alegada qualidade. O produtor de vinho e os 800 funcionários estão preocupados… Estamos no vinha Purcari, fundada em 1827: “Este embargo é apenas por razões políticas e não tem nada a ver com a qualidade do vinho… Já é o segundo embargo russo sofremos: o primeira em 2006 e agora outro, a partir de 2013…Tivemos grandes perdas, em 2006: perdemos 80 por cento. Em 2013 foi menos: foi-se 20 por cento do dinheiro. Em 2006 perdi mais de 10 milhões de dólares devido ao embargo e agora, em 2013, perdi mais de um milhão de dólares”.

Mas a Purcari ainda dá lucro. A partir de 2006, Bostan mudou de estratégia: antes quatro em cada cinco garrafas eram vendidas na Rússia, depois apenas uma em cada cinco. As perdas devido ao embargo são compensadas com as exportações para países da UE.

No entanto, muitas outras explorações vinículas estão em dificuldades e precisam urgentemente de acesso a capital com uma baixa taxa de juro, para atualizarem as linhas de produção, as estratégias de marketing e distribuição na Europa.

Segundo Victor Bostan: “O Banco Europeu de Investimento deu um passo extraordinário para a Moldávia, porque agora o oferece linhas de crédito 75 milhões de euros para que os produtores de vinho possam investir no vinho e na modernização da indústria.”

O avô de Victor também produzia vinho.
Os soviéticos deportaram a família para a Sibéria. Depois da morte de Estaline, o avô de Victor retornou. Na década de 90 comprou uma vinha barata na Rússia, plantou novas vinhas e vendeu a adega renovada por 15 milhões de euros. Voltou à Moldávia e investiu na Purkari, criando centenas de postos de trabalho. Uma história de sucesso.

Em Chisinau, a capital do país, encontrámos Dacian Ciolos, o Comissário Europeu responsável pela Agricultura, Dacian Ciolos:
“A União Europeia abriu totalmente o mercado para o vinho moldavo que se encaixa no mercado europeu sem qualquer limitação e sem qualquer taxa.”

Usando métodos atuais, o “Centro de Bebidas Alcoólicas e de Teste” moldavo verifica todo o vinho para exportação. Quando as autoridades russas reclamaram que existiam impurezas, esta equipa não encontrou qualquer substância. Estarão as dúvidas russas certas ou erradas? As autoridades russas recusaram uma entrevista e diretor do centro de testes moldavo aceitou.

Para Ludmila Marcoci, Diretora deste centro: “Estão errados. Completamente enganados. O vinho na República da Moldávia também tem sido exportado para a União Europeia e que nunca tivemos problemas com este vinho. Os únicos problemas são provenientes da Rússia.”

Um ponto de vista partilhado pelo ministro moldavo da Agricultura, Vasile Bumacov, que recorda a longa história vinícula da Moldávia, um orgulho nacional: “70 por cento do vinho soviético era da Moldávia. Todos na antiga União Soviética, incluindo a Rússia gostavam do vinho da Moldávia e sabem que o vinho moldavo é bom e não é perigoso…”

Algumas regiões da Moldávia falam russo: Em Transnistria e na região autónoma de Gagauzia a maior parte dass pessoas rejeita laços mais estreitos com a União Europeia.

Ioan e colegas trabalham para ligar a Moldávia à rede do gasoduto da Europa Ocidental. Até agora, a Rússia é a única fonte de gás da Moldávia. Em caso de qualquer problema grave com Moscovo, esta nova ligação pode ser usada como uma tábua de salvação para a Moldávia: “Fazemos esta ligação aqui para que a República da Moldávia não seja 100 por cento dependente do gás russo. A extensão do gasoduto é 32,2 quilómetros em território romeno e 11 km em solo moldavo e a sua capacidade é de 1,5 mil milhões de metros cúbicos por ano.”

É um dia importante, são feitos testes de pressão, para verificar se tudo funciona como planeado. Em maio, o gasoduto de interligação vai ficar concluído.

Os críticos afirmam que a ligação só vai conseguir trabalhar a dez por cento da capacidade até que uma infraestrutura adicional seja implantada. A UE quer dividir o abastecimento com gás para promover a concorrência. Moscovo é contra este conceito.

Em Varzaresti encontrámos Macar Matei, a ligar o gás para secar as ameixas que vão ser exportadas para a Rússia e para a Ucrânia. Tem problemas com a conta de gás, porque a Gazprom (o fornecedor russo) coloca os preços para a Moldávia a um nível muito alto. Gostaria de vender as ameixas secas no mercado europeu também, mas faltam-lhe existem algumas lacunas: “Os empréstimos são muito caros para nós, por exemplo, pedi um crédito a um banco, no valor de 150 mil Lei, passados seis meses tive de devolver 180 mil Lei Imagine. Esta diferença simplesmente desapareceu… O negócio continua. Mas é como andar de rastos…”

O jovem presidente da câmara de Varzaresti quer ver os pequenos e os grandes agricultores unidos, para se tornarem mais competitivos para conquistar quotas dos mercados na União Europeia: “Olhamos em frente para o mercado da União Europeia, é claro, porque é mais atrativo em relação ao preço, não pode ser comparado com mercado russo e ucraniano…”

Os agricultores moldavos receiam que a Rússia possa estender o embargo na importação de vinho a outros produtos…Como as maçãs. Quando o acordo de livre comércio com a UE entrar em vigor, a Moldávia pode quadruplicar as exportações de maçã para o Ocidente.

Cerca de 400 mil moldavos trabalham na Rússia e enviam dinheiro para casa. Mas, recentemente, a Rússia endureceu as leis da emigração. Mas a União Europeia prometeu facilitar a liberalização dos vistos para moldavos em breve.

Segundo Dacian Ciolos: “A Moldávia tem uma orientação europeia do ponto de vista cultural, numa perspetiva histórica e das aspirações dos seus cidadãos. A União Europeia tem uma responsabilidade clara nestas aspirações…”

E para Vasile Bumacov: “Agora, a União Europeia oferece-nos um enorme mercado de consumidores. A Moldávia não tem duas opções. A Moldávia tem uma opção: ou vai para ocidente ou não vai a lugar nenhum.”

Levantam-se algumas questões: Será que as relações com a Rússia podem ser restabelecidas? E será que o acordo de parceria com a Europa vai implementado? A Moldávia é o país mais pobre da Europa, arcando com as consequências de um conflito gelado. A opinião pública divide-se: 44% olha para o oeste, 40% para o leste… As eleições aproximam-se e 2014 é um ano crucial para a Moldávia.

Para ouvir a entrevista completa com o comissário de Agricultura da UE, Dacian Ciolos (língua francesa) por favor siga o link abaixo. O Repórter Hans von der Brelie conheceu Ciolos na capital da Moldávia. Ciolos propõe o reforço da parceria da UE com a Moldávia.

Interview bonus : Dacian Ciolos, Commissaire européen en charge de l’Agriculture