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Tropas de paz intrometem-se no linchamento de um islâmico em Bangui

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Tropas de paz intrometem-se no linchamento de um islâmico em Bangui

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Tropas de paz ruandesas pertencentes à apelidada Misca tiveram de intervir, este domingo, em Bangui para parar o linchamento de um homem que acabou prostrado no meio de uma rua da capital da República Centro-Africana (RCA). A vítima era um alegado islâmico, que, durante o fim de semana, terá morto alguns cristãos, o que terá provocado uma vingança das milícias Anti-Balaka ao jeito de lei de talião, mais popular pela expressão “olho por olho, dente por dente.”

“Durante a noite ele matou cinco pessoas. De manhã voltou e matou a nossa irmã. Foi por isso que nos fomos queixar ao quinto bairro (“arrondissment”, divisão do município similar à junta de freguesia), mas não recebemos quaisquer reforços. Esta manhã, ele voltou de novo e disparou sobre nós. Foi por isso atacámos a casa dele e queimámos tudo”, explicou um dos elementos das milícias cristãs que participaram na alegada retaliação.

Este foi mais um fim de semana de violência e saques na capital da República Centro-Africana. Pelo menos 11 pessoas terão morrido, entre eles dois muçulmanos, que acabaram linchados, e ainda um legislador centro-africano, que, de acordo com a organização Human Rights Watch (tr.: Observação dos Direitos Humanos), foi morto por dois atacantes numa moto depois de ter condenado, no sábado, a violência contra muçulmanos.

A violência étnica e inter-religiosa não dá tréguas na República Centro-Africana, onde o balanço das Nações Unidas para os confrontos entre as milícias islâmicas Séléka e as cristãs Anti-Balaka aponta para mais de duas mil mortes desde março do ano passado, após o golpe de estado que colocou no poder da RCA um governo muçulmano apesar de uma maioria cristã na população.

Uma investigação foi, entretanto, aberta para averiguar a alegada existência de crimes de guerra na RCA, de onde largos grupos de islâmicos têm vindo a tentar fugir nas últimas semanas. Dados da organização Médicos Sem Fronteiras, apontam para mais de 30 mil centro-africanos que já se refugiaram no vizinho Chade e outros 10 mil nos Camarões.

As forças de paz, que juntam cerca de 5 mil elementos da Misca, as tropas da União Africana, e cerca de 1600 franceses, têm sido incapazes de controlar a violência. Entre as várias operações em curso pelos militares das Nações Unidas está a destruição do armamento confiscado às milícias rivais centro-africanas.