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UE: Cidadãos escolhem dentro de 100 dias novos representantes

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UE: Cidadãos escolhem dentro de 100 dias novos representantes

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Dentro de 100 dias têm lugar as eleições europeias. O voto é feito entre 22 e 25 de Maio, dependendo do país (Portugal escolheu o dia 25).

Haverá duas questões principais a marcar a campanha: a abstenção, que tem vindo a aumentar a cada escrutínio, e a percentagem de votos nos movimentos anti-europeus, que também tem aumentado.

Com a entrada da Croácia na União Europeia (UE), há cerca de seis meses, o Parlamento Europeu (PE) representa mais de 500 milhões de cidadãos de 28 Estados-membros. Com o Tratado de Lisboa os eurodeputados passaram a ter um papel de co-decisão em toda a lesgislação europeia.

Em nome da transparência sobre esse trabalho foi criado na Internet o sítio VoteWatch Europa. Os eleitores podem saber quem fez relatórios e discursos e como foram votadas as diretivas e resoluções.

O responsável pelo site, Doru Frantescu, explica que “os visitantes do sítio podem ter uma visão clara do que realmente se passa no PE, que legislação está a ser votada e qual o sentido de voto dos eurodeputados. As pessoas podem, assim, perceber as posições dos vários grupos parlamentares europeus e com base nisso fazer uma escolha informada sobre em que partido votar”.

Portugal em sétimo lugar

Apenas os votos durante as reuniões das comissões parlamentares são secretos. Cada eurodeputado pertence a mais do que uma, conforme os temas em que é especialista.

Entre os 28, Portugal ocupa a sétima posição em termos de participação.

O responsável pelo sítio explica que tal é possível através de um “gráfico que mostra a média da participação dos eurodeputados de cada Estado-membro nos trabalhos do PE. Pode ver-se quantos deles votaram durante as sessões plenárias. O gráfico mostra que os eurodeputados da Áustria são os mais participativos. Atualmente, na parte inferior da tabela estão os eurodeputados de Malta, Lituânia e Chipre”.

A monitorização permite também ver quais são as tendências políticas mais marcantes num determinado tema. Por exemplo, as questões económicas são aprovadas sobretudo com votos da direita, mas as sociais são muitas vezes vitórias de centro-esquerda.

A sombra do euroceticismo

Outra organização cívica que tenta informar os eleitores chama-se “Debater a Europa”, dirigida por Adam Nyman. Tal como o próprio nome indica, organiza debates sobre questões europeias e, desde há algumas semanas, propõe um voto online nos partidos europeus.

As pessoas que acederam até agora a este sítio na Internet parecem preferir a esquerda: os socialistas obtêm o melhor resultado, seguidos dos liberais e da esquerda radical. O centro-direita é o quarto mais votado e a direita anti-europeia tem pouca expressão.

Audrey Tilve/euronews (AT/euronews): “Quão realista é este panorama sabendo que as sondagens dão à direita anti-europeia cerca de 25% dos votos?”

Adam Nyman/Debater a Europa (AN/Debater a Europa): “Estamos apenas a aquecer, tal como acontece com a campanha eleitoral na vida real, que só agora começa. Entre hoje e 15 de maio, data de fecho do nosso inquérito, deveremos ver um aumento dos movimentos radicais, dos partidos eurocéticos, mas também um crescimento do Partido Popular Europeu. Vamos também promover uma série de debates na Internet.”

AT/euronews: “A partidos como a Frente Nacional em França e como UKIP no Reino Unido são atribuídos votações na ordem dos 20%. Existe algum tipo de negação desta realidade pela opinião pública mais favorável à União Europeia?”

AN/Debater a Europa: “Não penso assim, acho que na chamada bolha da UE, composta pelas instituições europeias, há de facto receio disso e não vão ignorá-lo. Talvez o facto de ainda haver poucas ações no terreno seja uma escolha deliberada para manter a campanha discreta e de não proporcionar muita discussão sobre essas questões.”

“As eleições vão basear-se no mérito de ideias”

AT/euronews: “Os partidos anti-europeus, sejam de esquerda ou de direita, já marcaram o tom da campanha. Vimos isso nos debates sobre limites à imigração, o fim da livre circulação dentro da União Europeia ou da moeda única. Os partidos principais vão ser obrigados a fazer uma campanha à defesa?”

AN/Debater a Europa: “Não penso que tenham de ficar na defensiva, penso que têm de promover as suas próprias políticas e, acima de tudo, tornar claro como água que essas políticas são diferentes das dos eurocéticos. As eleições vão basear-se no mérito de ideias concretas e não apenas em propaganda. A única coisa a ter em mente é que os movimentos eurocéticos apresentam-se de ambos os lados do espectro político e não foram um bloco homogéneo e também não o serão dentro do Parlamento. Por isso vai ser muito difícil que consigam vetar decisões, já que têm opiniões muito diferentes entre si.”

AT/euronews: “Está a dizer que mesmo que os movimentos anti-europeus cresçam, não vão atrapalhar a forma de funcionar do Parlamento”.

AN/Debater a Europa: “Vai depender do número de lugares que os partidos eurocéticos vão conseguir no Parlamento. Se conseguirem mais de 25%, então a situaçao ficará estranha.”

AT/euronews: “Outra incógnita é a taxa de abstenção, que atingiu 57% na última eleição e que provavelmente será igual ou mesmo maior agora. Vê alguma melhoria na forma como as instituições e os partidos europeus planearem a campanha?”

AN/Debater a Europa: “Os únicos dois partidos que estão realmente ativos são os socialistas com a sua estratégia de “porta-a-porta” e os verdes que escolheram os candidatos através de voto na Internet, o que foi um exercício de democracia europeia muito bom. Contudo, estas não são eleições nacionais, pelo que gostaria de ver os candidatos a presidente da Comissão Europeia a desfilar perante os cidadãos de toda a Europa, vendendo as suas ideias, algo que deveria ter sido feito há um ano, na minha opinião!”