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Abuso de trabalhadores não fará Qatar perder Mundial de Futebol

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Abuso de trabalhadores não fará Qatar perder Mundial de Futebol

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O Qatar não será desapossado da organização do Mundial de Futebol de 2022, apesar das preocupações sobre o tratamento dos trabalhadores migrantes nas obras ligadas ao evento, denunciado por organizações dos direitos humanos.

Um executivo da FIFA, Theo Zwaniziger, convidado para uma audição no Parlamento Europeu, explicou que “a decisão de atribuir a organização ao Qatar está tomada e é irreversível. Foram assinados contratos e daqui em diante vamos trabalhar em conjunto para melhorar as condições”.

“Afinal o que é que se pode esperar de uma instituição de futebol? Dois anos depois de termos tomado a decisão é que nos demos conta do que se passa. Será que esperam que de nós a interferência em assuntos de Estado?”, perguntou Theo Zwaniziger.

O Qatar anunciou, esta terça-feira, a criação de um código de conduta para garantir o bem-estar dos trabalhadores, mas que não convence a Confederação Internacional dos Sindicatos (CIS).

“Sinceramente, tanto as declarações do Qatar como o código de conduta são um logro, uma fachada como já assistimos noutras ocasiões. Parece-me que este país não se importa de tratar os trabalhadores como se não fosse humanos”, disse à euronews Sharan Burrow, secretária-geral da CIS.

O ex-futebolista francês Zahir Belounis esteve impossibilitado de sair do Qatar durante dois anos. Como estava em litígio com o clube por causa de salários em atraso, foi-lhe recusado o visto de saída do país.

“Quando um estrangeiro quer deixar o Qatar é obrigado a pedir autorização escrita do empregador. Sem essa assinatura não há qualquer possibilidade de sair do país. A certa altura tornou-se tão terrível que me apetecia morrer. Tratavam-me como um criminoso”, contou Zahir Belounis.

As autoridades diplomáticas do Qatar em Bruxelas recusaram-se participar na audição parlamentar, bem como a conceder uma entrevista à euronews.