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Israel: Ministro exige pedido de desculpa a Martin Shulz

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Israel: Ministro exige pedido de desculpa a Martin Shulz

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O presidente do Parlamento Europeu está no centro do alvo de Israel, em particular, de Naftali Bennet – o emotivo ministro da Economia do executivo de Benjamin Netanyahu exigiu mesmo um pedido de desculpas ao também candidato socialista à sucessão de Durão Barroso na liderança da Comissão Europeia . Em causa o polémico discurso realizado esta quarta-feira no Knesset, o parlamento israelita, realizado ainda por cima em alemão, um idioma de más recordações para os judeus.

Martin Shulz até começou por falar aos deputados do Knesset de forma solidária sobre os danos causados a Israel pelo holocausto. O caldo entornou, contudo, quando o presidente do Parlamento Europeu abordou o conflito israelo-palestiniano e lançou suspeitas sobre os israelitas devido à política de expansão dos colonatos, com ênfase no fornecimento de água alegadamente escasso aos palestinianos nos territórios ocupados. Com isso, “incendiou” uma boa parte do parlamento.

Prosseguindo o discurso, Martin Shulz mostrava-se confiante num acordo que permita ao Estado de Israel viver lado a lado e em paz com o Estado da Palestina. O presidente do Parlamento Europeu chegou a colocar a União Europeia como eventual parceiro estratégico privilegiado dessa relação uma vez assinado um acordo de paz definitivo entre as duas partes. Aí, foi mesmo interrompido.

Os ânimos no Knesset estavam em polvorosa. Alguns deputados do partido Casa Judia insurgiram-se de forma ruidosa contra Martin Shulz e chegaram mesmo a abandonar a sala em protesto. Os relatos dão conta também do desconforto evidenciado pelo próprio primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que se terá abstido de aplaudir a intervenção do representante europeu.

O ministro do Comércio, Naftali Bennet, conhecido por ter o coração perto da boca, foi contudo o mais enérgico e contundente na reação às palavras de Martin Shulz, que acusou de ser mentiroso, por dar credibilidade às acusações que garante serem infundadas dos palestinianos. Bennet exigiu, por isso, ao presidente do Parlamento Europeu um pedido de desculpas aos israelitas e apelou a Netanyahu que reforçasse essa exigência junto do candidato à liderança da Comissão Europeia.

O episódio da água foi instigado por Martin Shulz, citando “um jovem palestiniano” que lhe teria perguntado “porque é que os israelitas podem usar 70 litros de água e os palestinianos apenas 17” nos territórios ocupados. “Eu não confirmei estes dados, mas pergunto-vos se estão certos?”, questionou Shulz, em pleno Knesset, para surpresa dos deputados.

O porta-voz da Autoridade da Água de Israel respondeu ao Presidente do Parlamento Europeu: De acordo com os últimos dados objetivos registados, em 2006, cada palestiniano recebia 100 mil litros de água por ano e cada israelita 170 mil. Os dados não foram atualizados, mas o porta-voz alegou que cada palestiniano estará já a receber mais de 110 mil litros por ano, enquanto o fornecimento aos israelitas baixou.

Outra parte controversa do discurso de Martin Shulz em Israel prendeu-se com o que terá sido visto como uma intromissão nas questões de segurança e defesa do país. “Todos sabemos que o bloqueio [na Faixa de Gaza] é uma reação aos ataques sobre a vossa população civil. Mas os efeitos desse bloqueio estão a ser explorados pelos extremistas, por isso, talvez isso esteja a ser contraprodutivo para as questões de segurança”, considerou o Presidente do Parlamento Europeu.