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Coreia do Norte: testemunhos de horror

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Coreia do Norte: testemunhos de horror

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Acredita-se que mais de 200 mil pessoas são mantidas cativas em prisões na Coreia do Norte.

O país fechou as suas portas à comunidade internacional. Sem acesso ao território norte coreano, só os testemunhos, de quem sobreviveu ou desertou e abandonou o país, permitem desfiar o novelo das atrocidades cometidas. Estes sobreviventes são ouvidos numa comissão da ONU chefiada por Michael Kirby.

A Amnistia Internacional apresenta-nos relatos de antigos prisioneiros, como Kim Young Soon, que passou 9 anos presa:

“Trabalhamos do nascer ao pôr-do-sol. Não há um número de horas determinado. Levantamo-nos às três e meia da manhã para trabalhar às quatro e meia e trabalhamos até escurecer.

O sistema de culpa por associação aplica-se a toda a família. Eu sou culpada mas os outros seis membros são forçados a ir comigo para a prisão sem conhecerem as acusações”.

Para as mulheres a situação pode agravar-se, como explica Jihyum Park:

“Quando uma mulher chega a Onsung são feitas análises ao sangue para ver se está grávida ou tem doenças sexualmente transmitidas. Eles forçam-nas a abortar. As mulheres grávidas são enviadas para campos de trabalho, para carregarem pesos, colina acima e abaixo, assim perdem as crianças”.

Joo-Il Kim é um antigo militar que desertou:

“A pouca comida é o maior problema nas prisões da Coreia do Norte. Civis e militares não têm comida suficiente. O grande problema é a fome”.

Mas pensar na parte sem ter em consideração o todo é ingénuo. Para a responsável da Amnistia Internacional, Roseann Rife, a China tem um papel importante a desempenhar:

“Precisamos que a China não seja um obstáculo a qualquer ação do Conselho de Segurança e que assuma a responsabilidade de proteger os direitos humanos dos norte coreanos, que não faça regressar aqueles que atravessam a fronteira para a China”.

Numa mostra, em Seul, expõem-se desenhos que retratam chocantes métodos de tortura nestas prisões.

A Coreia do Norte fecha-se na sua redoma e nega todas acusações afirmando que o documento, agora publicado pelas Nações Unidas, faz parte de um complô político.