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O palmarés da Berlinale

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O palmarés da Berlinale

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O Festival Internacional de Cinema de Berlim terminou no fim-de-semana com um palmarés voltado para o cinema asiático. Foram premiados três filmes chineses e um japonês.
Como em todos os festivais, as estrelas desfilaram no tapete vermelho do Berlinale Palast.
A grande diferença é que em Berlim as sessões não são reservadas aos profissionais. O público pode ver os filmes em competição.

“O que torna a Berlinale especial é o facto de ser um festival para o público, o que não se passa noutros festivais. Este ano vendemos 330 mil bilhetes”, disse Dieter Kosslick, diretor do Festival.

Este ano, o júri foi presidido por James Schamus, produtor e argumentista de Ang Lee.

Entre os restantes jurados, a artista iraniana Mitra Farahani
e o realizador Michel Gondry.

“É mais fácil quando as pessoas vêm de países diferentes. Prestamos mais atenção ao que dizem. Quando é um amigo e há um desacordo, dizemos como é possível temos de concordar. Quando fazemos parte de um júri com tantas visões diferentes aprendemos a ouvir.
É um dos grandes prazeres de fazer parte do júri em Berlim”, disse James Schamus.

Voltando ao palmarés, o policial “Black Coal, Thin Ice” do realizador chinês Diao Yinan, venceu o Urso de Ouro para melhor filme e o Urso de Prata para Melhor Actor (Liao Fan).

“Fui influenciado pelo cinema europeu e americano. Normalmente num thriller policial a montagem é mais rápida mas eu quis desenvolver a minha própria linguagem visual. Usou elementos artísticos e planos longos para contar a história de uma forma emotiva”, sublinhou Diao Yinan.

“Cresci numa família de atores, desde a infância via minha mãe e o meu pai no palco e um dia disse a mim próprio que queria fazer o mesmo e ser ator”, contou Liao Fan.

A atriz japonesa Haru Kuroki recebeu o urso de prata pelo desempenho em “The Little House”.

“Para incarnar o papel, foi importante adquirir a sensação do que é vestir um quimono para saber como movimentar-se e sentir o impacto ao nível da linguagem corporal”, referiu Haru Kuroki.

O realizador Yoji Yamada, de 82 anos, assina a realização do melodrama japonês que retrata os códigos de vestuário no Japão na década de 40.

O ator André Dussolier recebeu o Prémio Alfred H. Bauer em nome de Alain Resnais, pelo filme “Aimer, Boire et Chanter”.
O realizador francês de 92 anos não esteve em Berlim. Fez-se representar por Dussolier e pelo produtor Jean Louis Livi.

“Aimer, Boire et Chanter” segue a vida de três casais numa aldeia inglesa. A atriz Sabine Azema, mulher de Resnais, é uma das personagens principais.

O encenador não está aqui, ele é o nosso mestre e amigo”, afirmou Jean-Louis Livi.

“Querido Alain, cada vez que faz um filme, tenho a impressão que é o seu primeiro filme. Você tem a juventude eterna do criador e este prémio fica-lhe bem, tal como todos os outros que já recebeu. Os meus pensamentos estão consigo”, disse André Dussolier.

“Boyhood” de Richard Linklater recebeu o urso de prata para melhor realização. A obra foi filmada ao longo de doze anos.

“É um bom pisa-papéis. Este prémio vai para as 400 pessoas que trabalharam no filme durante doze anos. Não é tanto o prémio de melhor realização mas o facto de termos sido bem recebidos em Berlim, de termos estabelecido uma boa relação com o público que gostou do filme, isso é tudo para mim”, sublinhou Richard Linklater.

O Prémio Especial do Júri foi para “The Grand Budapest Hotel” de Wes Anderson. A comédia co-produzida pelos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, desenrola-se numa Europa ficcional e estreia em Portugal em Abril.