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Ucrânia: Manifestantes ganham amnistia mas a "luta" continua

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Ucrânia: Manifestantes ganham amnistia mas a "luta" continua

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Foi confirmada domingo à noite, pelo procurador-geral ucraniano Viktor Pchonka, a amnistia para os 234 manifestantes detidos na Ucrânia entre 27 de dezembro e 2 de fevereiro, por causa dos protestos antigoverno. O responsável acrescentou, ainda, que os processos que poderiam levar a pesadas penas de prisão serão anulados nos próximos meses caso sejam respeitadas as condições fixadas na negociação desta amnistia com os partidos da oposição.

A amnistia é uma vitória desta mesma oposição ucraniana, mas aos olhos de boa parte dela, não passa de uma pequena vitória. As exigências de uma reforma política e económica para o país, a base de toda a “luta” que tem vindo a ser travada nas ruas desde finais de novembro, mantêm-se.

O domingo foi, aliás, um dia de avanços e recuos até à confirmação final da amnistia. Primeiro, tal como previsto na negociação da amnistia e com prazo até esta segunda-feira, os manifestantes começaram por iniciar a desocupação dos edifícios das câmaras municipais que mantinham sob controlo em várias cidades, incluindo a da capital, Kiev. A demora do anúncio levou a uma nova concentração junto à Câmara Municipal de Kiev, com gritos de revolta contra o Governo do presidente Ianukovich. Até que ao início da noite, surgiu em Kiev a confirmação da amnistia.

O braço de ferro, porém, não acabou, avisa um dos principais rostos da oposição, Arseniy Yatsenyuk: “Parece-me que o presidente Ianukovich está apenas a tentar ganhar tempo. Ele não está interessado em solucionar os problemas políticos e económicos. A única hipótese de resolver esta confusão é o estabelecimento de um governo de inclusão neste país. Não um governo pró-Ianukovich, mas um governo pró-Ucrânia e, se ele não percebe isto, iremos ter outro ciclo de tensão e revolta.”

Com o aviso dado ao presidente, os opositores ao governo celebraram na rua a amnistia a ser efetivada esta segunda-feira e, para lá de desocuparem a Câmara Municipal, retiraram também as barricadas que mantinham em algumas das ruas de Kiev onde aconteceram os mais violentos confrontos com a polícia. “Não é uma retirada. Nós apenas regressamos à estaca zero, ao ponto onde começámos”, disse um dos manifestantes antigoverno, assumindo que era “importante que as pessoas fossem libertadas e que não houvesse lugar a processos criminais com penas de prisão que podiam ir dos oito aos quinze anos.”

Do outro lado das barricadas, no apoio ao governo de Ianukovich, um representante do Partido das Regiões considerou que “a oposição não controla o que se passa na praça Maidan”, o coração da revolta antigoverno iniciada no final de novembro, realçando a existência de “diferentes setores: o meio, a esquerda, a direita, o vermelho, o verde”. “Não conseguem estar sequer de acordo entre eles mesmo. Há uns que vão deixar o local, mas outros vão ficar”, criticou este apoiante do atual executivo.

A verdade é que muitos opositores ao governo estão desconfiados face a esta amnistia. Até porque em relação às desejadas reformas para o país pouco ou nada se avançou. Por isso, não é de estranhar que para terça-feira esteja, aliás, marcada nova manifestação contra o governo diante do Parlamento de Kiev, onde estão previstos recomeçar os trabalhos do governo.