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Itália: Novo governo de Renzi obrigado a seduzir a direita

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Itália: Novo governo de Renzi obrigado a seduzir a direita

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Matteo Renzi começa, oficialmente, esta terça-feira a fazer contactos com vista à formação de um novo governo em Itália. Um dos mais aguardados é que o líder do Partido Democrático, de centro-esquerda, está obrigado a fazer com Angelino Alfano, o líder do partido Nova Centro-Direita (NCD). Só com a companhia de Alfano, Renzi poderá conseguir a maioria que necessita no Senado para poder governar e assumir-se, então, como o mais novo primeiro-ministro da história da República de Itália.

O antigo braço direito de Silvio Berlusconi já fez saber que pretende manter a pasta do Interior, que já detinha com o ex-primeiro-ministro Enrico Letta, que se demitiu na sexta-feira. O Líder do NCD exige mais dois ministérios para a direita italiana.

A tarefa, já se sabe, não será fácil, como, aliás, antevê Curzio Maltese, conhecido jornalista do diário “La Republica”: “Penso que ele (Renzi) vai poder criar uma nova lei eleitoral e cortar nos custos da política. Essas são reformas muito populares, mas que não alteram uma vírgula às condições de vida de milhões de famílias italianas. Na economia, acredito que Renzi não vai conseguir mudar nada tal como nada fizeram (Mario) Monti ou (Enrico) Letta. À exceção, talvez, do controlo da dívida pública italiana.”

As dúvidas levantadas por Curzio Maltese vão ao encontro do ceticismo de parte dos italianos. Uns não esperam muito de Renzi apesar das promessas realizadas, nomeadamente, uma nova lei laboral a ser implementada já em março. Outros esperam mudanças, criação de emprego e melhoria do nível de vida.

À margem da vontade do povo, a verdade é que o até aqui prefeito de Florença tem pela frente um osso duro de roer. As consultas para formar o novo governo só arrancam oficialmente esta terça-feira e o prazo para estarem concluídas é de dois dias. Mas de forma informal, Renzi terá começado a fazer convites durante o fim de semana para a liderança de alguns ministérios, nomeadamente o das Finanças, um dos mais sensíveis, com a imprensa italiana a adiantar que o escolhido pelo presidente da República para liderar o novo governo terá ouvido bastantes “nãos”. Um deles, por parte de Romano Prodi. Na sexta-feira, apesar de tudo, prevê-se que Matteo Renzi possa apresentar no Senado o novo executivo.