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Ucrânia: Merkel com a oposição e Rússia a dar milhões a Ianukovich

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Ucrânia: Merkel com a oposição e Rússia a dar milhões a Ianukovich

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Angela Merkel e alguns membros da Coligação Democrática Cristã alemã (CDU) reuniram-se esta segunda-feira, em Berlim, com os dois principais rostos da oposição ao executivo de Kiev, Vitali Klitshko e Arseniy Iatsenyuk, que lideram a revolta iniciada no final de novembro contra o presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovich.

Ao mesmo tempo, a Rússia anunciou a intenção de disponibilizar mais uma parte da ajuda financeira negociada em dezembro com o Chefe de Estado ucraniano e que havia sido suspensa depois do agravamento da violência naquela antiga república soviética.

O novo pacote de ajuda, que deverá ser concretizado esta semana, de acordo com o ministro das Finanças russo Anton Siluanov, está avaliado em 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,45 mil milhões de euros) e chegará às mãos do governo de Ianukovich em troca de títulos de dívida (“bonds”) ucraniana. É uma segunda parte de um bolo global de 15 mil milhões de dólares (11 mil milhões de euros) disponibilizado pelo presidente russo Vladimir Putin ao Chefe de Estado ucraniano e dos quais o Kremlin já havia disponibilizado em dezembro 3 mil milhões de dólares (2,2 milhões de euros). Este acordo, relembre-se, foi a boia de salvação a que Viktor Ianukovich se agarrou depois de virar costas ao acordo de associação comercial que vinha a negociar com a União Europeia – rutura que motivou o início dos protestos antigoverno.

Na reunião de Berlim, entretanto, a pequena Merkel e corpulentos representantes da oposição ucraniana contrariaram no físico os tamanhos diplomáticos dos respetivos países, mas pareceu ser de uma “gigante” que Arseniy Iatsenyuk, o líder do partido União Pan-Ucraniano “Pátria”, falou quando se referiu ao apoio endereçado pela Chanceler à causa ucraniana pró-europeia.

“Gostámos muito do apoio que foi transmitido por parte da Chanceler ao povo ucraniano para que se estabilize a situação política no meu país. A agenda que estamos a seguir é, antes de mais, impedir na Ucrânia qualquer forma de violência e parar o derramamento de sangue”, afirmou Iatseniuk, antes de lançar uma farpa a Viktor Ianukovich: “Cabe ao governo em exercício e ao seu presidente tomar as medidas concretas para resolver esta crise política que se mantém na Ucrânia.”

Em Kiev, entretanto, o momento é de tranquilidade por comparação com os tumultos registados ao longo dos últimos quase três meses. Num cenário que ainda faz lembrar uma guerrilha urbana, esta segunda-feira foi dedicada à retirada de mais algumas das barreiras que os manifestantes colocaram em certas zonas do centro da capital.

Os edifícios municipais de várias cidades, entre elas Kiev, foram desocupados no domingo. Junto com o levantamento das barreiras, era uma das condições essenciais para a aplicação da lei da amnistia, entretanto, confirmada para a maioria dos detidos em resultado dos protestos antigoverno.

Esta terça-feira, por fim, começa a ser discutida pelos deputados a reforma da Constituição ucraniana. Uma manifestação está, por isso mesmo, marcada pelos opositores do governo de Ianukovich para junto do parlamento ucraniano, como forma de pressão sobre essa mesma discussão.