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Falha acordo para pôr fim ao pior dia da história da Ucrânia

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Falha acordo para pôr fim ao pior dia da história da Ucrânia

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O presidente da Ucrânia e os principais líderes da oposição ao governo falharam um acordo para pôr fim à violência, que esta terça-feira à noite voltou a tornar Kiev num autêntico cenário de guerrilha urbana. Em particular, a Praça da Independência, que é o centro da revolta antigovernamental e se tornou conhecida como Maidan, termo ucraniano que designa simplesmente “praça” e que, por conseguinte, originou o nome “Euromaidan”, apontando aos manifestantes.

Arseniy Iatseniuk e Vitaly Klitschko estiveram reunidos com o chefe de Estado, e principal alvo dos protestos, que há cerca de três estalaram na Ucrânia. Mas, mais uma vez, a falta de sintonia ditou o fracasso das conversações. Com a agravante de que, desta feita, estava em cima da mesa aquele que pode ser já descrito como o dia mais negro dos 23 anos de história da Ucrânia.

Klitschko, aliás, mais do que rosto da oposição, era, pelas 02h da manhã locais quando falou aos jornalistas, o rosto da desolação pela alegada intransigência de Ianukovich. “Neste momento, Iatsenyuk mantém-se junto do Presidente e continua a tentar chegar a um acordo. Eu fui até à [praça] Maidan para tentar resolver o problema. Falei com elementos da polícia e com manifestantes. Pedi-lhes para que tentassem parar tudo de imediato”, contou o líder do partido UDAR, levantando depois o véu sobre a reunião de onde tinha saído pouco antes: “O Presidente fez uma única proposta: todos os manifestantes devem ir para casa e parar com os protestos.”

Cerca de duas horas depois, também Iatsenyuk saiu da reunião com Ianukovich de mãos a abanar. “Acabaram em nada”, limitou-se a dizer o líder do partido “Pátria”. Alguns deputados afetos à posição acusaram mesmo o Presidente de ter, inclusive, ameaçado os líderes da oposição de os responsabilizar e punir pelos confrontos registados.

Horas depois, o próprio Viktor Ianukovich publicou um comunicado no site oficial da presidência. Nessa missiva, o chefe de Estado desafia os líderes dos partidos da oposição “a dissociarem-se das forças radicais que provocaram o derramamento de sangue e os confrontos com a polícia”. Se não o fizerem, para Ianukovich, estarão a apoiar as ações dos manifestantes e terão de ser também responsabilizados por tal.

Tudo começou pelas 20h locais. Após um aviso oficial para mulheres e crianças abandonarem a Praça da Independência, a polícia antimotim ucraniana, a Berkut, investiu em força sobre o local onde há quase três meses se levantou um protesto contra o governo de Ianukovich. A resposta dos manifestantes à polícia foi, igualmente, violenta, recorrendo a pedras, bombas artesanais e tudo o mais que tivessem à mão.

A revolta antigoverno estendeu-se a outras regiões do país, com especial incidência na cidade de Lviv. Milhares de pessoas começaram a deslocar-se de várias regiões ocidentais rumo a Kiev. As informações recolhidas pela equipa ucraniana da euronews apontam para bloqueios, por ordem governamental, nas principais entradas da capital de forma a alegadamente impedir o reforço das forças de oposição.