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Ucrânia: Com um olho nas tréguas e outro na revolução

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Ucrânia: Com um olho nas tréguas e outro na revolução

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As tréguas acordadas quarta-feira entre o presidente Viktor Ianukovich e os líderes da oposição – Arseni Iatsenyuk, Vitali Klitschko e Oleh Tiahnibok – devolveram alguma calma à Praça da Independência, em Kiev, que na véspera havia sido palco daquele que deverá ficar registado como o dia mais negro de sempre dos 23 anos de história da Ucrânia.

É num ambiente tenso, mas sem registo de violência que a simbólica Maidan tem estado mergulhada nas últimas horas. O cessar-fogo impera, mas a atividade de ambos os lados das barricadas não está suspensa. No lado de dentro, há quem aproveite para retemperar forças, mas há também quem se mantenha a preparar uma eventual nova investida da polícia antimotim.

Há manifestantes encarregues de repor os depósitos de bombas artesanais. Outros trabalham no reforço das barricadas com pneus e a acender mais fogueiras nas fronteiras da praça, as quais os polícias tentam apagar com os canhões de água. No meio deste género de jogo, o correspondente da euronews em Kiev, Sergio Cantone, teve oportunidade de perceber a desconfiança existente nos opositores ao governo face às tréguas acordadas. “Eles estão apenas a fazer o jogo deles. Mas para as pessoas isto não é um jogo, é a nossa vida. Estamos a lutar pela justiça. E todos estes jogos políticos não são normais para nós”, reclama o jovem ativista Artem.

Vasyl é mais direto e obstinado: “Não confio neste cessar-fogo. Eles estão a atacar-nos como nos atacavam antes e nós vamos defender-nos até ao fim. Se tivermos de cair, caímos.”

Uma solução para o conflito é tudo o que Kateryna deseja. “Sou a favor da paz, claro. Mas quero este conflito resolvido e que a revolução consiga o que todos queremos. O governo acedeu a compromissos porque foram eles que provocaram isto. Um cessar-fogo é um cessar-fogo, mas, pessoalmente, quero é que a oposição chegue a um acordo com o Presidente”, desejou a ativista.

Observador atento de tudo o que se tem passado em Kiev, Sergio Cantone diz que “este cessar-fogo parece de certa forma irónico na noite de Maidan”. “Ainda assim, há uma nova chance a ser aproveitada por ambos os lados e que está a ser criada pelas circunstâncias e pela pressão internacional sobre o presidente Ianukovich e sobre as outras partes em jogo na Ucrânia”, concluiu o nosso correspondente.