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Ucrânia: Procurador-geral ameaça manifestantes com pesadas sanções

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Ucrânia: Procurador-geral ameaça manifestantes com pesadas sanções

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O Procurador-geral da Ucrânia ameaçou com a aplicação de pesadas sanções os manifestantes que estão a tomar parte nos confrontos desta terça-feira à noite com a polícia antimotim, a famosa Berkut, na Praça da Independência, de Kiev.

Viktor Pshonka quer, sobretudo, responsabilizar aqueles que estarão a liderar a resistência contra as forças da ordem, que desde as 20 horas locais (menos duas em Lisboa) estão a tentar dispersar os milhares de manifestantes que há quase três meses se instalaram naquela praça central de Kiev, internacionalmente conhecida como Maidan.

“Os promotores destes protestos em massa vão ser responsabilizados. A Procuradoria-geral vai exigir pesadas punições. Tanto para aqueles que instiguem outros a participar nestes motins como para aqueles que os organizaram e os estão a controlar”, garantiu o Procurador-geral, apenas dois dias após a confirmação da implementação de uma lei de amnistia especial que se destinava aos manifestantes detidos entre finais de dezembro e início de fevereiro devido a estes mesmos protestos antigovernamentais.

Com o balanço de vítimas a subir para os 22 mortos, entre eles sete polícias, e mais de mil feridos, este parece ser cada vez mais “o dia do juízo final” para a Ucrânia.

À forte investida das forças policiais pela Praça da Independência de Kiev, os manifestantes responderam com pedras, bombas artesanais e pequenos incêndios que serviram de barreira defensiva.

A polícia antimotim tem sido acusada de brutalidade excessiva, mas imagens recebidas na sequência dos confrontos iniciados esta terça-feira revelam que, do outro lado da barricada, a lei em vigor parece ser a de “olho por olho, dente por dente”. É que os manifestantes também estão a fazer reféns e alguns dos polícias apanhados estão mesmo a ser alvo de agressões.

É a capital da Ucrânia a ferro e fogo, com a comunidade internacional sobressaltada pela galopante escalada de violência impulsionada pela investida policial. As reações além-fronteiras de condenação aos violentos confrontos em Kiev não demoraram. Inclusive de Portugal. “O Governo condena toda a violência e apela ao regresso urgente ao diálogo”, referiu fonte oficial do Ministério português dos Negócios Estrangeiros.

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros referiu mesmo “sanções pessoais” a serem aplicadas pela União Europeia (UE) aos membros do governo da Ucrânia, pela decisão do executivo de investir com agressividade contra os manifestantes. O comissário europeu para o Alargamento e Política Europeia de Vizinhança, o checo Stefan Füle, manifestou preocupação por ter visto “a polícia armada com kalashnikov’s” e revelou ter falado pessoalmente, ao final da tarde, com o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Serguei Arbpouzov, o qual lhe teria garantido que seria “feito o máximo para que as armas” ficassem “silenciosas” – o que não se verificou.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Catherine Ashton, disse estar “profundamente preocupada”, à imagem do assumido pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, que apelou à calma e ao diálogo entre as partes.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ligou pessoalmente ao presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovich, pediu-lhe para mandar retirar as forças policiais que haviam investido em força sobre a Praça da Independência, colocou sobre o governo de Kiev a responsabilidade da escalada de violência das últimas horas e apelou à negociação com os partidos da oposição reformas políticas que coloquem a Ucrânia no caminho da estabilidade.

Um dos líderes da oposição, Vitaly Klitschko, anunciou, entretanto, que após a conversa com o presidente Ianukovich, não foi possível chegar a um desejado acordo para acabar com os confrontos em Kiev e revelou que o chefe de Estado se mantém intransigente com o abandono incondicional por parte dos manifestantes da Praça da Independência.