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Venezuela: López entrega-se à polícia e faz xeque ao Presidente

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Venezuela: López entrega-se à polícia e faz xeque ao Presidente

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Leopoldo López, o aclamado líder da oposição na Venezuela, entregou-se terça-feira às autoridades. O rival do presidente Nicolás Maduro era procurado há vários dias sob suspeita, lançada pelo próprio Chefe de Estado, de ter promovido os protestos antigoverno iniciados no país há quase duas semanas, dos quais resultaram pelo menos quatro mortos.

Líder do partido assumidamente progressista Voluntad Popular, López, que está a ganhar cada vez mais mediatismo e popularidade, assume-se inocente das acusações que lhe apontam e não poupa nas críticas à própria justiça venezuelana, que diz ser “corrupta” e não julgar “de acordo com a Constituição e as leis” do país.

Antes de se entregar, Leopoldo López teve ainda tempo para falar aos seus apoiantes que se mantinham na Praça Brión, no bairro Chacaíto, de Caracas, e pediu-lhes “que não abandonem as ruas”. “Peço-vos que usemos o nosso direito de nos manifestarmos, mas que seja em paz, que seja sem violência”, afirmou através de um megafone, arrancando gritos de apoio aos manifestantes antigoverno, antes de concluir: “Peço a todos nós – todos os que estamos aqui e a cada um dos venezuelanos que querem a mudança – que nos orientemos uns ao outros, que nos juntemos, nos organizemos e que mantenhamos uma manifestação não violenta.”

Apelo lançado, Leopoldo López entregou-se, finalmente, à Guarda Nacional. Passava pouco do meio dia, em Caracas, quando o líder do voluntad Popular concretizou a arriscada jogada que, recorrendo a gíria do xadrez, acaba por colocar o Presidente em xeque e obrigado a defender-se perante a população.

Isto enquanto, noutro ponto da capital, decorria uma outra manifestação. Esta de apoio ao regime “Chavista” a que Nicolás Maduro está a dar continuidade, desde que subiu no ano passado à presidência da Venezuela após a morte de Hugo Chávez. Milhares de funcionários da indústria petrolífera, que é gerido em exclusivo pelo Estado, e outros apoiantes do atual regime desfilaram vestindo camisolas vermelhas, a cor do Partido Socialista, dançando ao som de ritmos festivos e entoando frases de apoio a Nicolás Maduro.

Apesar do ambiente festivo dos apoiantes do governo, do outro lado há agora maior revolta face à prisão de López. A tensão está, por isso, de volta às ruas da Venezuela. A polícia está armada e, num país que tem uma das mais altas taxas de criminalidade do Mundo, o risco de novos confrontos está a subir.