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Venezuela: Manifestantes exigem libertação de Lopez e queda de Maduro

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Venezuela: Manifestantes exigem libertação de Lopez e queda de Maduro

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No dia em que morreram na Venezuela mais duas pessoas vítimas dos confrontos da última semana, centenas de apoiantes de Leopoldo Lopez juntaram-se diante do Palácio da Justiça da capital Caracas, onde começou a ser ouvido o assumido opositor do Presidente Nicolás Maduro.

O coordenador do partido Voluntad Popular está detido desde terça-feira, dia em que se entregou de livre vontade à polícia venezuelana, que o procurava há varias dias sob suspeita, lançada pelo próprio Presidente, de ser o responsável pelos atos de violência gerados a partir das manifestações iniciadas há cerca de uma semana em Caracas, a reboque do Dia Nacional da Juventude (12 de fevereiro).

Leopoldo Lopez clama inocência e acusa a justiça do país de estar a compactuar com as ações ilegais do governo liderado por Maduro. Os apoiantes do opositor ao Presidente mostraram cartazes onde se podia ler, por exemplo, “a luta de Leopoldo é a luta de todos” ou “Leopoldo, a Venezuela está contigo”.

Os manifestantes exigiam a liberdade de Lopez e também a do povo, à custa do chefe de Estado. “Estamos cansados e, por isso, estamos aqui a lutar até que o Presidente caia e nós possamos ter a liberdade que queremos”, afirmou Eduardo Rodriguez, um jovem manifestante antigoverno.

Um outro, Carlos Baez, explicou que, “acima de tudo”, estava ali “para defender Leopoldo Lopez”. “E porquê o Leopoldo? Porque ele está ao lado de todos os venezuelanos. Ele não cometeu nenhum delito. O seu único delito foi protestar por uma Venezuela melhor. Como é que um líder da oposição, só por apelar a um protesto, pode ser mandado para a prisão?”, questionou.

A verdade é que Leopoldo Lopez estudou bem o jogo e montou uma estratégia que incluiu a gravação de vídeos para publicação na internet antes de se entregar às autoridades. Uma forma de reforçar os laços com o povo, levantar o máximo de dúvidas sobre as acusações do Presidente e obrigar mesmo Maduro a ter de comprovar as acusações lançadas através da televisão.

Ao entregar-se de livre vontade e num espaço público repleto de centenas de pessoas, Lopez colocou o Presidente em xeque, como se diria num jogo de xadrez, e Nicolás Maduro está agora obrigado ao próximo passo diante do povo.

Enquanto não surge a próxima jogada deste aparente duelo a dois, Lopez começou a ser ouvido em tribunal, mas a juíza que lidera o processo, Dalenys Tovar, decidiu, entretanto, mudar a localização da audiência desta quinta-feira para o interior da própria prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, onde o coordenador do Voluntad Popular está detido. “Disseram que realizar a audiência aqui no tribunal poderia constituir perigo de vida para o cidadão Leopoldo Lopez”, explicou o advogado de defesa Juan Carlos Gutiérrez.

À margem deste processo, mas não completamente alheio, está o balanço de vítimas dos confrontos provocados pelas diferentes manifestações da última semana: umas a favor do governo, outras contra. Miguel Rodríguez, o ministro do Interior, confirmou a morte de uma pessoa que participava numa concentração de trabalhadores no Estado de Bolívar, no sul da Venezuela. “Foram atacados a tiro a partir de um edifício, não sabemos bem por quem, resultando um morto e quatro feridos”, explicou o o ministro.

Miguel Rodríguez referiu-se também à morte de Génesis Carmona, uma jovem estudante de 22 anos, miss Turismo 2013 do Estado de Carabobo. A mulher havia sido baleada na terça-feira, também por desconhecidos, quando participava numa manifestação na cidade de Valência. Génesis Carmona ainda foi submetida a uma cirurgia de urgência, mas não resistiu e morreu esta quarta-feira. Ao todo, são já 6 as vítimas mortais desde que se intensificaram há uma semana os protestos antigoverno na Venezuela.