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O regresso de Timochenko

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O regresso de Timochenko

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O balanço dos acontecimentos mais recentes evoca incógnitas quanto ao futuro da revolta ucraniana.
Com a libertação da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, a grande pergunta agora é: “Quem vai ser o líder de uma revolução que, durante três meses, foi acima de tudo resultado do fator humano, mais que da ação dos políticos?”
Uma revolução que custou a vida de mais de uma centena de ucranianos, o que a carismática Timochenko soube tão bem usar no seu discurso de sábado, na praça da Independência.

Chagada diretamente do hospital penitenciário, a fotogénica Yulia demonstrou que não perdeu o seu talento de oradora e homenageou as vítimas:
“Esta é uma Ucrânia diferente, uma Ucrânia de cidadãos livres. Foram vocês que devolveram este país a todos os ucranianos – aqueles que estão vivos hoje e aqueles que hão-de nascer. Por isso, aqueles que estiveram aqui em Maidan, aqueles que perderam as suas vidas aqui, são heróis para sempre”

ENtre a multidão que a escutava, nem todos ficaram sossegados com a sua reaparição. Um dos manifestantes disse à euronews que “Estamos realmente com medo que se repita a o cenário de 2004 e que Yulia queira voltar a governar”, sublinhando que “Ela pode dizer todas aquelas palavras bonitas, mas o que interessa são os atos, não as palavras. Eles enriqueceram com o poder e nós continuamos a zero”.

Mas Yulia tem também em Maidan quem confie nela. Uma mulher disse esperar que “Talvez desta vez os que vão governar percebam que, se os ucranianos se revoltaram pagando isso com tanto sangue, voltarão a fazê-lo as vezes que forem precisas, até que a Ucrânia se torne um país europeu normal”, acrescentando que “Por isso espero muito de Yulia!”

Resta aguardar pelo desenrolar dos acontecimentos no palco político ucraniano. Uma coisa é certa – dele não pretende afastar-se Yulia Timochenko.