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Turquia: Primeiro-ministro pressionado por alegada falsa gravação

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Turquia: Primeiro-ministro pressionado por alegada falsa gravação

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A gravação de uma alegada escuta telefónica do primeiro-ministro turco a dizer ao filho Bilal Erdogan para esconder uma elevada soma de dinheiro que este teria em casa levou a oposição a reforçar a exigência para que Tayyp Erdogan se demita. O chefe de Governo garante, contudo, que a gravação é falsa e fala em perseguição.

“O que eu disse quando isto tudo começou foi: ‘Publiquem tudo o que têm. Revelem tudo o que tiverem’. E eles voltam com uma montagem vergonhosa e tornam-na pública”, afirmou, esta terça-feira, Tayyp Erdogan durante a habitual reunião semanal com membros do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla original), finda a qual o governante ainda viria a dizer aos jornalistas que “este constitui um ataque contra o primeiro-ministro e a república da Turquia.”

As intervenções do chefe de Governo de Ancara seguiram-se a um prévio desmentido da autenticidade da gravação, através da publicação de um comunicado na página oficial do governo turco na internet: “As gravações, que pretendem ser uma conversa telefónica entre o primeiro-ministro e o filho, são uma montagem imoral. Não são verdade.”

A gravação da alegada conversa telefónica foi tornada pública na segunda-feira através da rede social de vídeos na internet, o Youtube. Duas das três forças da oposição, o Partido Popular Republicano (CHP) e o Movimento de Ação Nacional (MHP), reuniram-se no mesmo dia à noite.

O vice-presidente do CHP, Haluk Koç, resumiu a posição da oposição: “O governo perdeu toda a legitimidade. O primeiro-ministro, cuja reputação está manchada por roubo e corrupção, deve demitir-se imediatamente. A Turquia não pode continuar a progredir se tiver de carregar este fardo.”

A imprensa turca desta terça-feira deu eco da polémica. Nos jornais lia-se que o alegado telefonema teria acontecido entre 17 e 18 de dezembro, depois das buscas da polícia a dezenas de casas, incluindo a dos filhos de dois ministros. A operação de há dois meses – integrada numa investigação de corrupção, fraude e branqueamento de capitais – resultou na detenção de várias pessoas ligadas ao AKP e na demissão de três ministros.

A publicação do vídeo com o registo áudio das alegadas chamadas telefónicas coincidiu com notícias publicadas segunda-feira em dois jornais próximos do AKP, nas quais magistrados ligados a Fethullah Gülen, o antigo aliado de Erdogan entretanto tornado rival, são acusados de terem colocado sob escuta milhares de pessoas, incluindo o primeiro-ministro.

A Turquia tem eleições autárquicas marcadas para 30 de março e em agosto realizam-se as primeiras presidenciais diretas. Tayyp Erdogan nunca escondeu a ambição de suceder ao atual Presidente Abdullah Gül e, ele próprio, coloca o seu futuro e do executivo que lidera nas mãos dos turcos: “Nunca cederemos. Só o povo pode decidir afastar-nos, mais ninguém.”