Última hora

Última hora

Estabilidade na Crimeia ameaçada

Em leitura:

Estabilidade na Crimeia ameaçada

Tamanho do texto Aa Aa

Aumentam os receios quanto a possíveis manobras russas para desestabilizar a Crimeia. Manifestações na terça-feira, em Sinferopol e Sevastopol, pediam às autoridades locais que rejeitem o novo governo de Kiev.

A tensão cresce, fomentada por posições controversas, como a recente proposta de políticos russos, que querem dar passaportes russos à população da Crimeia de etnia russa. Uma ideia que faz recordar o pretexto usado por Moscovo em 2008 para a intervenção na Geórgia, argumentando que esta nação ameaçava a Ossétia do Sul, cuja maioria dos habitantes tinha passaportes russos.

Propostas que não ficam sem efeito, mesmo se são comentadas com muita cautela por Sergey Aksionov, deputado do partido Unidade Russa no parlamento da Crimeia: “A Rússia não está a tentar nenhuma posição de força para influenciar a situação na Ucrânia. Não procura violar a soberania da Ucrânia, nem se trata de avançar nenhuma pretensão territorial. Todavia, a Rússia está pronta a ajudar os seus compatriotas se vierem a encontrar-se em perigo”

Na Crimeia habitam também os tártaros, grupo étnico favorável ao recente curso dos acontecimentos em Kiev, e tradicionalmente averso à Rússia, pois não esqueceu a deportação que lhe foi imposta por Estaline.

Refat Chubarov, membro do parlamento da Crimeia e chefe do conselho do Povo Tártaro, teme que os russos da Crimeia estejam a servir os interesses de Moscovo: “Muitos dos russos instalaram-se aqui depois da deportação dos tártaros da Crimeia e continuam a sentir-se russos étnicos, mas também se identificam com o Estado russo. E é por isso que o desejo profundo deles é pertencer à Rússia no estado russo”

Olexandre Turchinov, presidente interino da Ucrânia, alertou esta terça-feira para “sinais perigosos” de separatismo no país.