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Ucrânia tem novo e experiente tecnocrata a liderar o governo interino

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Ucrânia tem novo e experiente tecnocrata a liderar o governo interino

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Ainda a Revolução Laranja está na memória de todos (foi apenas há uma década), e os ucranianos insistem em provar que as suas revoluções são manifestação da vontade popular.

A composição do governo interino era esperada ansiosamente, mesmo se a tarefa vai ser árdua e sem recompensa evidente.

Arseniy Iatseniuk, economista e advogado, é o atual primeiro-ministro da Ucrânia:

“Devemos formar um governo responsável, e não é uma questão de personalidades, mas de sentido de responsabilidade. Fazer parte deste governo é como um suicídio político. É preciso ser franco e aberto. É suicídio político”.

Lúcido, o ex-ministro da Economia e dos Negócios Estrangeiros, até 2008, sabe que o trabalho vai ser imenso, as decisões a tomar nos próximos dias e semanas, serão muito impopulares e o seu papel pode pôr em causa o próprio futuro político.

Mas Iats está habituado à sombra. No início da revolta, emergiu com outras figuras da oposição por falta da ícone do partido que dirige, Iulia Timochenko, a quem deve a popularidade. No entanto, pegou, habilmente, nas rédeas do poder.

Este jovem tecnocrata pró-ocidental entrou muito cedo na política. Aos 31 anos, em 2005, foi nomeado ministro da Economia e depois dos Negócios Estrangeiros. Presidiu ao Parlamento apenas com 33 anos de idade.
Tentou a presidência, em 2010, mas foi derrotado e Timocheko foi encarcerada.

Aproveitou o interregno político para reunir apoios que lhe permitissem liderar a contestação , ao lado do campeão de boxe Vitali Klitschko, e o ultranacionalista Oleg Tiagnibok. Três personalidades completamente distintas. Yats tinha a preferência do clã ocidental, como transpareceu na conversa de Victoria Nuland, vice-secretária de Estado norte-americana e o embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia, no início do mês:

“Não imagino Klitchko no governo. Não é necessário nem penso que seja boa ideia. Iatseniuk é o adequado, tem experiência económica, experiência de governo. É ele que faz falta, deixemos Klitchko eTiagnibok de fora. “

O político com experiência nas finanças é, mais do que nunca, necessário para assumir o desafio que representa uma economia em colapso. Mas ele sabe que vai ser tarefa de equilibrista num país tão dividido.