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Ucrânia: Tensão entre cidadãos cresce nas ruas da capital da Crimeia

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Ucrânia: Tensão entre cidadãos cresce nas ruas da capital da Crimeia

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À medida que cresce a tensão entre o recém-criado governo da Ucrânia e o Kremlin, nas ruas de Simferopol, a capital da região autónoma da Crimeia, também as discussões entre concidadãos, que apoiam lados opostos, estão igualmente a aumentar nesta península ucraniana, no sul do país, onde o idioma russo é o mais falado.

Nas ruas de Simferopol podem ver-se homens armados, que não apresentam qualquer identificação quanto à sua origem. Ao mesmo tempo, o novo ministro da Defesa da Ucrânia, Igor Teniuj, acusou a Rússia de ter reforçado o contingente militar na Crimeia com mais 6 mil soldados, o que representa um violar dos acordos bilaterais entre os dois países. O receio de um confronto militar na península começa a tomar conta dos habitantes de Simferopol.

“Para mim, é importante manter a paz aqui. Não interessa onde estamos, seja na Rússia ou na Ucrânia. O mais importante é não nos colocarem sob pressão. Como, por exemplo, têm feito alguns políticos que dizem que o russo não é uma língua oficial da Crimeia e que só o deveríamos falar nas nossas cozinhas. É por coisas assim que as pessoas estão a protestar”, afirma em russo Yuriy, um ucraniano da Crimeia.

Alexandr, envergando cores militares, considera que, “apesar de haver algumas pessoas com armas, isto é apenas para não haver derrame de sangue” .“A questão é: só quem for forte pode lutar pelos próprios direitos. Não há outra forma de agir para nós porque em Kiev está agora um governo ilegítimo”, acusou.

Os soldados armados, ainda não identificados, têm estado aparentemente a patrulhar o perímetro em torno do parlamento da Crimeia, em Simferopol. Há também notícias de forças militares terem tomado o controlo de algumas bases militares ucranianas na Crimeia. Até ao momento, não há registo de confrontos de qualquer espécie. Mas a tensão aumenta e as discussões de rua são também cada vez mais frequentes entre os cidadãos da Crimeia. Alguns apresentam-se mesmo envergando símbolos pró-Rússia e são questionados por outros que se mantém fiéis à soberania ucraniana.

Dmitry, que falou à euronews depois de uma discussão com um apoiante da presença russa na Crimeia, assumiu-se “contra todas estas multidões”, que diz estarem a ser organizadas pelo próprio governo regional. “Existem autoridades governamentais da Crimeia que poderiam tomar as decisões corretas. O governo, aqui, está a juntar algumas pessoas e a nomear os próprios membros, o presidente e outros. Será isto um governo? E em relação a Kiev? Houve uma revolta popular na capital, mas aqui não é o mesmo. Não é, de todo, o mesmo”, defendeu Dmitry.

Observador atento de todos os eventos que desde final de novembro colocaram a Ucrânia em polvorosa e conduziram à destituição há semana do Presidente Viktor Ianukovich, o correspondente da euronews na Ucrânia, Sergio Cantone, deslocou-se à Crimeia e resume-nos o que testemunhou: “A população local pró-Rússia é entusiasta em relação à presença destes soldados, até ver, não identificados. De qualquer forma, tudo faz parte deste grande jogo que está a ser disputado entre Moscovo e Kiev. Em especial desde a mudança de regime operada em Kiev.”