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Ucrânia: Merkel e Putin abrem porta a solução diplomática

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Ucrânia: Merkel e Putin abrem porta a solução diplomática

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Angela Merkel e Vladimir Putin chegaram este domingo a um princípio de acordo para resolver o conflito social, político e, agora também, militar que tem vindo agravar-se na Ucrânia. A Chanceler alemã e o presidente da Rússia falaram pessoalmente por telefone e o líder do Kremlin mostrou-se recetivo à criação de “um grupo de contacto” na Ucrânia, que poderá vir a ser liderado pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, com o objetivo de encontrar uma solução que reponha a paz e a estabilidade no país.

Na conversa telefónica, Merkel terá acusado a Rússia de ter violado leis internacionais ao deslocar forças militares para território ucraniano, nomeadamente para a Região Autónoma da Crimeia, e ter de certa forma interferido de forma ilegítima na soberania de um outro país.

Putin terá, ainda assim, explicado à Chanceler alemã que a presença militar russa na Crimeia seria apropriada devido à existência de uma alegada ameaça de grupos “ultranacionalistas” à segurança da região e de interesses do Kremlin existentes naquela península autónoma onde a maioria dos habitantes se expressa em russo.

Em Bruxelas, à margem de uma reunião de emergência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) neste domingo para discutir a instabilidade política e militar na Ucrânia, o secretário-geral Anders Rasmussen apelou “à Rússia para reduzir a pressão sobre a Ucrânia, honrar todos os compromissos internacionais, retirar as suas forças para as suas bases militares e para reprimir qualquer outra interferência em qualquer outra zona da Ucrânia.”

Os Estados Unidos também estão atentos. No sábado Barack Obama falou durante mais de uma hora ao telefone com Putin e terça-feira John Kerry, desloca-se a Kiev para expressar o seu apoio às autoridades interinas ucranianas.

Por seu lado, os dirigentes dos países do G7 condenaram a “clara violação” da soberania da Ucrânia por Moscovo e anunciaram a suspensão dos preparativos para a cimeira do G8, prevista para Sochi em junho.

Este domingo, em entrevista à estação de televisão ABC, o secretário de Estado norte-americano deixou uma espécie de aviso: “É verdade que a Rússia pode invadir a Crimeia, mas no final vai acabar sozinha e isso iria ter custos para a própria economia. Iria prejudicar os negócios russos e os próprios cidadãos. Por fim, a Rússia iria isolar-se ela própria de uma forma global e isto quando acabou de investir 60 mil milhões de dólares com os Jogos Olímpicos para promover uma nova imagem do país.”