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Ucrânia: Nova televisão pretende devolver isenção às "media" do país

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Ucrânia: Nova televisão pretende devolver isenção às "media" do país

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Informar os ucranianos de um modo isento e imparcial, é esse o objetivo da pequena estação de televisão em linha “Hromadske TV”.

O canal surgiu a 22 de novembro, do ano passado, após as primeiras marchas de protesto contra a decisão de Viktor Ianukovitch recusar assinar o acordo de cooperação com a União Europeia.

Menos de 30 profissionais utilizam, gratuitamente, o tempo livre de modo a garantirem a emissão.

“Tivemos a ideia de criar uma televisão independente, baseada nos princípios da televisão pública, à semelhança do que acontece no Reino Unido e na Alemanha. Não existia nenhum canal de Tv. socialmente responsável, na Ucrânia, mas a Internet deu-nos a oportunidade de criá-lo. Então começámo-lo como voluntários”, informa a jornalista e fundadora do projeto, Natalia Gumenyuk.

O jornalista Mustafa Nayyem afirma que quando iniciaram “a nossa transmissão na Internet, o mercado ucraniano dos ‘media’ já tinha a sua própria conjuntura. No entanto, o telespetador ucraniano nem sempre obtinha a informação adequada sobre o que estava a acontecer. Esta informação não era imediata. Nenhum canal estava, realmente, a mostrar o que estava a acontecer aqui e agora. “

Esta televisão foi a primeira a mostrar as manifestações e os confrontos entre a polícia e os contestatários, enquanto os “media” que apoiavam o governo ignoravam o que estava a acontecer nas ruas.

“Houve mais de meio milhão de telespetadores, durante a noite, quando a polícia de choque dispersou uma manifestação pacífica, pela primeira vez”, informa Nayyem.

Os jornalistas da “Hromadske TV” garantem que a imparcialidade é palavra de ordem e enquanto profissionais da informação vão retratar a realidade seja ela qual for. Natalia Gumenyuk avisa que “os ‘media’ independentes devem evitar o erro ocorrido em 2004 (depois da revolução laranja). Na época os jornalistas apaixonaram-se pela oposição e mantiveram-se em silêncio por muito tempo. Nós continuamos a criticar o novo governo e somo a ferramenta que deve representar as pessoas e fazer com que as autoridades sejam responsáveis ​​”.

A representante da organização “Repórteres sem Fronteiras” na Ucrânia, Oksana Romanyuk, saúda o aparecimento de um órgão de comunicação social na Ucrânia que garanta a difusão de uma informação independente, isenta, e afirma que os jornalistas devem ser, também, responsabilizados. “Durante os últimos três meses o espaço mediático ucraniano foi, extremamente, polarizado. Os canais de televisão independentes fizeram a cobertura dos acontecimentos e havia um grupo de canais pró-governo que manipulou a informação. Eles são responsáveis ​​pelo que aconteceu em Kiev e os jornalistas pró-governo devem, também, ser responsabilizados”, afirma.

A “Hromadske TV” tem já mais de 210 mil subscritores e consegue subsistir através dos donativos dos ucranianos e internacionais.