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Ucrânia: Economia submersa

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Ucrânia: Economia submersa

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A instabilidade social e política veio agravar, ainda mais, a já frágil economia ucraniana.

Em termos energéticos a Ucrânia importa três quartos do petróleo e do gás que necessita, sendo o principal produtor a Rússia.

Na última década os dois países negociaram acordos bilaterais de modo a manterem o preço do gás e fasearem o pagamento da dívida ucraniana.

Acordos esses que Moscovo ameaça agora denunciar.

“Vamos tentar dar a volta à questão. A Rússia não tem o direito de violar o acordo bilateral entre a Ucrânia e a Rússia. Nós vamos encontrar os recursos financeiros para pagar a dívida. Os russos não podem usar o gás como uma arma contra a Ucrânia”, afirma o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk.

60 por cento do gás que a Rússia exporta para a Europa passa pela Ucrânia.

E, também, 60 por cento do gás consumido pela Ucrânia tem origem na Rússia.

A dívida de Kiev em relação a Moscovo ascende aos 1,12 mil milhões de euros.

Desde que começaram os protestos, em novembro de 2013, a economia do país tem-se vindo a afundar, com os investidores internacionais a tirarem os investimentos da Ucrânia.

A Standard & Poor’s reduziu a notação da Ucrânia para CCC, apenas dois níveis acima da insolvência.

A Grívnia, a moeda ucraniana, caiu 10% em relação ao dólar, nos últimos meses. 1 dólar vale, hoje, 12 grívnias.

Em 2010 o crescimento era de 4,1 por cento, hoje, há recessão.

A dívida pública atingiu 43% do Produto Interno Bruto.

Em termos de confiança dos investidores, o Banco Mundial classifica a Ucrânia com o número 137, num universo de 183 países.

Os empresários ucranianos estão preocupados com a situação do país, principalmente com o desenrolar dos acontecimentos na Crimeia.

De acordo com o presidente executivo da Dragon Capital, Tomas Fiala, “quando a mudança política começou, na sexta-feira, os preços dos Eurobonds subiram 5 pontos na segunda-feira, na semana passada mais 5 pontos. O mercado de ações subiu 20% e houve uma grande quantidade de dinheiro a entrar, mas foi retido pelas notícias na Crimeia,” conclui.

Nas ruas os ucranianos estão expectantes. O comércio tradicional atravessava já uma crise, devido à economia do país, agora por causa da instabilidade política.

“É claro que não é apenas o mau humor que faz com que as pessoas comprem menos. Obviamente que muitas pessoas, simplesmente, não sabem o que vai acontecer amanhã, se vão ter os salários, se a situação vai estabilizar… É por isso que muitos preferem poupar em vez de gastar dinheiro”, informa uma pequena empresária.

A economia ucraniana pode ser, ainda, mais atingida depois do anúncio, desta terça-feira, da Gazprom, de que abolirá já a partir de abril, os descontos sobre o preço de gás vendido à Ucrânia.