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Palawan: A entrada noutro "planeta" longe da realidade

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Palawan: A entrada noutro "planeta" longe da realidade

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É conhecida como a joia verde das Filipinas e a algumas horas da capital regional de Puerto Princesa, conhecida como “a cidade dentro da floresta”, encontramos uma das recém-eleitas “Sete Maravilhas Naturais do Mundo” e desde 1999 Património Mundial da UNESCO: o misterioso rio subterrâneo do Parque Nacional de Palawan, que serve de porta de entrada de entrada para os segredos e mistérios milenares desta ilha, que lhe damos a conhecer nesta edição de “Philippine’s Life”.

Mais de metade da ilha de Palawan é coberta por densas e ancestrais florestas. Os mangais dominam a paisagem. Em novembro, as Filipinas foram devastadas pelo tufão Yolanda – também conhecido como Hayan. O paraíso semiaquático de Palawan foi, porém, poupado. Aqui, encontramos alguma da mais rica biodiversidade das Filipinas. Para os locais, a ilha representa o último paraíso virgem do país. No total, Palawan tem cerca de 450 quilómetros de comprimento. A costa noroeste é banhada pelo Mar da China Meridional; a sudeste pelo Mar de Sulu.

Um dos tesouros de Palawan, se não mesmo o grande tesouro da ilha, é o Rio Subterrâneo de Puerto Princesa, que está integrado no Parque Natural do mesmo nome. Fica a mais de 70 quilómetros a noroeste da capital regional e a cerca de 360 quilómetros a sudoeste de Manila. A nossa viagem começou em Puerto Princesa. Mais de duas horas de autocarro até ao ponto onde passámos para um pequeno barco. Seriam mais 20 minutos, mais coisa menos coisa, até à entrada do rio. Este derradeiro percurso, no entanto, é por si também uma experiência gratificante de contacto com a natureza.

A área exterior é dominada por vastos mangais. A acompanhar-nos esteve uma das mais famosas personagens locais. Conhecida pelos locais como “a senhora dos mangais”, Aida Moyano proporcionou-nos uma banda sonora muito particular nesta nossa viagem, entoando uma canção que ela própria compôs, a qual dedica à floresta local e aos turistas que visitam o parque às largas centenas todos os dias.

Aida Moyano viveu aqui durante muitos anos. Agora dedica-se de alma e coração à proteção dos mangais, estas florestas interditas que são dos mais complexos e produtivos ecossistemas do Mundo. “Sem os mangais, não haveria equilíbrio no ecossistema. Fauna, mangais, pessoas… tudo aqui está equilibrado. A vida animal, claro, precisa dos mangais para proteção e a comida também está aqui”, explica-nos “a senhora dos mangais”, descrevendo este local verdejante e rejubilante de vida exótica como “um santuário para a vida selvagem.”

Entre as muitas espécies distintas que encontramos no Parque Natural de Puerto Princesa está a serpente de anéis ou riscas de ouro, também conhecida como a rainha dos mangais, que dorme de dia e caça à noite. “A serpente de riscas amarelas ou cobra dos mangais é mais comum ao longo das margens”, conta-nos Aida Moyano, acrescentando que esta pequena cobra que combina o preto com as riscas amarelas se mantém junto das margens “porque se alimenta sobretudo de pequenos peixes.”

Depois de um enriquecedor passeio de barco, chegámos a um local onde foi a própria natureza a escrever-nos a história. É o maior rio subterrâneo navegável do Mundo. São mais de oito quilómetros dentro de uma caverna, cuja câmara chega a ter 60 metros de altura. Tira-nos a respiração. A corrente de água, que em certas partes chega aos 120 metros de largura, segue rumo ao Mar da China Meridional.

Há 23 milhões de anos esta câmara de calcário cársico era formada por rochas e estalactites. Várias espécies animais habitavam aqui. Muitas ainda habitam. “Os mais comuns são os morcegos e os andorinhões. Mas também podemos encontrar algumas criaturas rastejantes assustadoras como uma generosa aranha: a tarântula. Temos visto também cobras e alguns escorpiões”, conta-nos o guia Eduardo Nitor.

O teto da caverna rejubila de vida. Cerca de 40 mil morcegos vivem em perfeita harmonia com milhares de uma subespécie de andorinhões. Por incrível que pareça, estes andorinhões adaptaram-se a viver no escuro e o que desenvolveram torna-os únicos entre as aves. “Tal como as baleias ou os golfinhos, eles usam a eco locação para alcançar os ninhos. O eco dos sons que produzem ajuda-os a reconhecerem o caminho para entrar e sair da caverna”, explica-nos Ian C. Bacuel, funcionário dos serviços de Recreio & Bem-estar de Palawan.

Os sinais que as paredes e teto da caverna nos transmitem revelam que nela existe vida há milhões de anos. Em 2010, uma equipa de geólogos e ambientalistas descobriu que o fundo do rio tem um segundo nível. Existem várias quedas de água ao longo do rio. Foi também descoberta uma câmara que ronda os 300 metros de altitude acima do nível da água do rio. Várias criaturas aquáticas foram localizadas. Existem ainda algumas zonas onde a exploração é quase impossível devido à falta de oxigénio.

Há 3 anos, uma equipa de investigadores italianos fez uma descoberta assombrosa. Na parede calcária da caverna, foi encontrado o fóssil de uma vaca-marinha ou manatim. Estima-se que os ossos tenham à volta de 20 milhões de anos, o que confirma este rio subterrâneo como um lugar cheio de mistérios milenares que nos abre a porta da imaginação.

Ian C. Bacuel, em jeito de conclusão, resume-nos esta experiência de uma vida: “Entrar neste rio subterrâneo é como chegar a outro planeta. É como ir para uma outra dimensão onde nunca tínhamos estado antes. Depois, quando saímos, é como regressar ao nosso próprio planeta. É como regressar à realidade.”