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Fukushima, meu horror

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Fukushima, meu horror

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Foi há 3 anos, a 11 de março de 2011, que o Japão viveu uma das piores tragédias da sua história. Um terramoto, seguido de tsunami, provocou a mais grave catástrofe nuclear no mundo desde Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Em Fukushima, o número de mortes em resultado do stress e das complicações de saúde após o desastre na central nuclear – 1656 – já supera o daqueles que perderam a vida em consequência direta da catástrofe natural – 1607 – segundo os dados oficiais.

Hoje, as cerca de 35 mil pessoas que trabalham na central de Fukushima têm de envergar fatos integrais por causa da radiação. As autoridades não estão satisfeitas com a gestão das águas radioativas.

“A Tepco (responsável pela central) está a progredir no plano de gestão das águas, mas ainda não estou satisfeito. Gostava de ver um plano mais abrangente e integrado de gestão das águas contaminadas”, referiu o antigo “polícia” do nuclear norte-americano, Dale Klein, que preside ao comité de acompanhamento da crise.

O volume de água contaminada cresce todos os dias e ronda atualmente as 450 mil toneladas. A incapacidade de conter fugas para o mar tem sido muito criticada e a radiação de Fukushima deve começar a atingir a Costa Oeste dos Estados Unidos no próximo mês.

Um raio de 10 a 20 km em redor da central nuclear ainda não pode ser habitado, o que deixa 50 mil – das 200 mil pessoas que foram deslocadas – sem possibilidade de regressar a casa.

Os trabalhos de descontaminação ainda vão durar, pelo menos, mais 30 anos.

Na véspera do triste aniversário, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, reiterou a vontade de “reativar os reatores cuja segurança tenha sido confirmada”. As importações de hidrocarbonetos para compensar a paragem dos 48 reatores nucleares do país, abriu um buraco gigantesco na balança comercial nipónica.

A questão divide o Japão. Segundo algumas sondagens, 30% dos nipónicos estão contra os planos de Abe para relançar o nuclear.

Por ocasião do terceiro aniversário da catástrofe de Fukushima, estão convocadas concentrações de ecologistas em diversos pontos do mundo.