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"Van Gogh: O Suicidado da Sociedade" exibido em Paris


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"Van Gogh: O Suicidado da Sociedade" exibido em Paris

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É o tema de um livro (publicado em Portugal pela Assírio & Alvim), mas também de uma exposição a decorrer atualmente no Museu d’Orsay, em Paris. Dela fazem parte 55 obras do famoso impressionista holandês – 45 delas, pinturas. A coleção parte da revisão da obra de Van Gogh pelo reconhecido poeta e dramaturgo francês Antonin Artaud (1896-1948).

Os trabalhos expostos revelam-nos uma perspetiva diferente sobre o alegado suicídio do pintor, aos 37 anos, em 1890. Há cerca de 66 anos, Pierre Loeb, o dono da galeria parisiense que se preparava para inaugurar uma exposição de Van Gogh, solicitou a Antonin Artaud escrever um texto sobre o impressionista holandês. O escritor decidiu desafiar a teoria da demência de Van gogh e, por outro lado, a lucidez com que o pintor terá ajudado, por outro lado, a haver menos mentes perturbadas ao seu redor.

“O texto de Artaud é muito interessante. Ele vai contra todas as ideias que temos de Van Gogh. Sobretudo, vai contra a teoria da altura sobre o diagnóstico de loucura de Van Gogh. Artaud escreveu: ‘Não, Van Gogh não é louco. Ele foi levado ao desespero suicida pela sociedade que havia rejeitado a sua obra’”, destaca Isabelle Cahn, a curadora-chefe do Museu d’Orsay.

Para Antonin Artaud, o culpado pela morte de Van Gogh terá sido o doutor Paul Gachet, o psiquiatra que o tratou em Auvers-sur-Oise quando o pintor deixou o hospital de Saint-Rémy-de-Provence. Corria o mês de maio de 1890. Ao ínves de o ajudar, o escritor defendeu que Gachet teria levado Van Gogh para lá dos limites, o que resultou no alegado suicídio a 27 de julho desse mesmo ano.

Para a responsável do Museu d’Orsay, as obras de artistas como Van Gogh retiram das pessoas o fardo do quotidiano que lhes é imposto pela sociedade. “As emoções que carregamos são humanas. Não é a ansiedade. Essa são os artistas que carregam. E também a ansiedade da sociedade, do tempo em que viveram. Aí podemos descobrir a ansiedade contemporânea. Os artistas mostram-nos, acima de tudo, como podemos ir mais além através da arte e essa é, de facto, uma grande ajuda”, considera Isabelle Cahn, acrescentando: “Eles não nos libertam das questões meramente humanas, nem das nossas aspirações. Apenas nos mostram as coisas da forma mais bela possível. Os artistas existem para nos ajudar.”

Os tormentos de Van Gogh são bem visíveis ao longo desta exposição, a qual exclui apenas os dois anos que o holandês passou em Nuenen, na Holanda (1883-1885). Nessa altura, Van Gogh pintou vários motivos rústicos, como “Os comedores de Batatas”, sem recorrer aos tons vibrantes que marcaram, por exemplo, os períodos de Paris e Arles. Através da vigorosa vegetação presente, por exemplo, em “O Jardim do Hospital de São Paulo”, podemos perceber os nervos à flor da pele de Van Gogh.

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