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Bactérias e algas para produzir garrafas de plástico?

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Bactérias e algas para produzir garrafas de plástico?

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As garrafas de plástico tornaram-se um grave problema ambiental. Poluem as águas e põem em perigo os ecossistemas naturais. Calcula-se que sejam produzidas todos os anos 20 milhões de toneladas de detritos plásticos. Além de demorada, a limpeza das águas implica custos muito elevados.

Cientistas espanhóis acreditam que a solução para produzir plástico amigo do ambiente pode estar na própria natureza.

O Centro de Investigação em Biologia, em Madrid, conseguiu criar polímeros a partir de lixo orgânico.

O plástico tradicional é um polímero feito a partir de petróleo. A nova técnica repousa sobre o trabalho de uma bactéria.

María Auxiliadora Prieto é uma das investigadoras do Synpol, um projeto europeu que integra vários países.

“Estas batérias são capazes de acumular no seu interior bio-plástico em forma de grãos que podem ser depois extraídas com métodos químicos. Podemos obter uma grande variedade de substâncias. Aqui por exemplo temos material bioplástico que obtivemos segundo este processo”, afirmou a investigadora espanhola María Auxiliadora Prieto.

Os investigadores esperam que as descobertas feitas em laboratório possam ser usadas pela indústria de modo a produzir bioplástico em grandes quantidades a partir de detritos orgânicos.

Outra solução passa pelo uso de algas.

A investigação está a ser desenvolvida na Holanda, no âmbito do projeto europeu Splash.

Os cientistas descobriram que algumas algas produzem grandes quantidades de açúcares e hidrocarbonetos que podem ser transformados em bioplásticos.

Lolke Sijtsma trabalha no Instituto de Investigação em Alimentação e Biologia de Wagenningen.

A razão pela qual nos centramos nas algas no projeto Splash é porque elas são extremamente produtivas.
Usam a luz do sol e dióxido de carbono e alguns minerais de forma muito eficiente. Por outro lado as algas podem ser cultivadas em sítios que não são adequadas para as culturas tradicionais. ou seja não roubam espaço à produção alimentar. É por isso que é tão importante usar algas neste projeto de produção de biopolímeros”, disse o cientista.

As algas têm suscitado o interesse de tanto de investigadores como da da indústria.

Uma técnica desenvolvida pela empresa holandesa Avantium transforma o açúcar das algas em moléculas de polímero que servem de matéria-prima para a produção de garrafas de plástico.

O método tem grandes vantagens do ponto de vista ambiental.

“Este tipo de material emite menos setenta por cento de dióxido de carbono e usa menos fontes de energia não renováveis. É mais sustentável que as garrafas de plástico e as propriedades do material são melhores, disse Ed de Jong, da Avantium.

Segundo a empresa holandesa, o novo material tem vantagens ao nível da robustez e da resistência, o que permite produzir garrafas de qualidade com menos matéria-prima.

A Avantium alega que o novo tipo de plástico tem potencial para conquistar o mercado e substituir metade da quantidade de garrafas de plástico produzidas anualmente.

Em 2012, a empresa estabeleceu uma parceria com a Danone, a número dois mundial do mercado da água engarrafada.