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Crimeia: Sanções mais simbólicas do que dissuasoras

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Crimeia: Sanções mais simbólicas do que dissuasoras

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A reação ocidental à anexação da Crimeia à Rússia não se fez esperar, mas de acordo com muitos analistas pouco contribuirá para dissuadir Vladimir Putin.

A ordem executiva firmada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem 11 alvos. Já no caso da União Europeia o número sobe para 21. São políticos russos e ucranianos, legisladores e comandantes militares, incluindo o antigo presidente Viktor Yanukovich.

“Impomos sanções sobre pessoas específicas responsáveis por minar a soberania, a integridade territorial e o Governo da Ucrânia. Deixamos claro que haverá consequências sobre tais ações”, avisou Barack Obama.

As sanções deverão ser intensamente sentidas pelos que têm ativos no estrangeiro, mas os analistas alertam que não incluem medidas financeiras ou relacionadas com o comércio, passíveis de provocar danos económicos significativos à escala nacional.

“Honestamente, julgo que isto terá pouco impacto. É um gesto mais simbólico. Penso que estas sanções com alvos individuais pouco podem fazer. Se a administração norte-americana quer impor sanções económicas amplas, e podem fazê-lo, então temos de reconhecer que haverá um risco muito elevado de sanções de retaliação por parte da Rússia contra empresas americanas e talvez contra os americanos a viver na Rússia”, explica Paul Saunders, analista político.

A resposta de Moscovo às sanções foi irrisória. O blogger Rustem Adagamov, uma figura influente na Internet, considerou-as “uma brincadeira” num comentário feito nas redes sociais, e o vice primeiro-ministro Dmitry Rogozin, que figura na lista, escreveu no Twitter que um “brincalhão terá redigido o decreto do presidente dos Estados Unidos.”

Para já as sanções incluem o congelamento de ativos e restrições de viagem. Os líderes europeus deixaram em aberto a possibilidade de agregar medidas económicas mais severas quando se reunirem ainda esta semana.

Mas os Estados Unidos e a Europa não podem impor sanções pesadas à Rússia sem comprometer a frágil recuperação económica. Os estados do velho continente continuam fortemente dependentes do gás russo.

O Ocidente não visou Putin diretamente e as sanções também não incluem oligarcas, em muitos casos com contas em capitais financeiras da Europa e Estados Unidos. O tempo dirá até que ponto Obama e os parceiros europeus estão dispostos a aplicar medidas draconianas no caso de Moscovo não se acautelar com o aviso.