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Rússia formaliza anexação da Crimeia

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Rússia formaliza anexação da Crimeia

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O presidente russo Vladimir Putin assinou em conjunto com os novos dirigentes russófilos da Crimeia um acordo sobre a anexação da península do sul da Ucrânia.

O pacto, com efeito imediato, foi firmado depois do discurso de Putin, que considerou a Crimeia parte integrante da Rússia. Entre palavras meticulosamente pensadas, o chefe de Estado não esqueceu a minoria tártara da região: “Os tártaros da Crimeia são bem-vindos ao território que lhes pertence. Julgo que é preciso tomar todas as decisões legislativas e políticas para terminar o processo de reabilitação da população de tártaros na Crimeia.’‘

Perante as duas câmaras do Parlamento e o executivo, ao longo de 47 minutos, Putin proferiu um discurso em tom patriótico, com censura e agradecimentos dirigidos a outras potências internacionais.

“No caso ucraniano, os nossos parceiros ocidentais cruzaram a linha vermelha. Comportaram-se de forma cruel, sem responsabilidade, sem profissionalismo. Estamos gratos ao povo da China, onde o Governo via e vê a situação da Crimeia e da Ucrânia em todo o contexto histórico e político”, ressalvou Putin.

O presidente russo fez várias referências ao passado, longínquo, desde a desintegração da URSS, à separação da Ucrânia e da Rússia, mas também ao passado recente da Alemanha: “Julgo que os europeus me vão entender e desde logo os alemães. Quero lembrar-vos que durante as consultas políticas sobre a reunificação das duas Alemanhas, os representantes de certos países aliados não apoiaram sequer a ideia da reunificação ao contrário de nós que apoiámos o desejo sincero e ilimitado dos alemães de reunificação nacional.”

Sem deixar de acusar as novas autoridades de Kiev de abrir caminho aos “neo nazis”, Putin quis tranquilizar os investidores e os ucranianos sobre as intenções futuras no país: “Não acreditem em todos os que dizem temer a Rússia, que gritam que depois da Crimeia haverá outras regiões. Não queremos a secessão da Ucrânia. Não precisamos disso. No que respeita à Crimeia foi e continua a ser russa, ucraniana e tártara.”

Pouco depois, o Kremlin fez questão de frisar que a República da Crimeia é considerada parte da Federação Russa a partir da data de assinatura do acordo. A ratificação por parte do Parlamento de Moscovo não passa de uma formalidade, a data não foi sequer precisada.