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Arseni Yatseniuk: "Anexação da Crimeia é um assalto armado feito pela Rússia"

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Arseni Yatseniuk: "Anexação da Crimeia é um assalto armado feito pela Rússia"

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Enquanto a Rússia anexava oficialmente a Crimeia, o primeiro-ministro interino da Ucrânia deslocou-se a Bruxelas para assinar a parte política do acordo de parceria entre Kiev e a União Europeia.

Os líderes europeus e Arseni Yatseniuk assinaram três capítulos, que abordam questões de natureza política como o respeito pelos princípios da democracia, o formato do diálogo político futuro e as cimeiras a organizar. Os capítulos ligados às questões económicas, fundamentais para a Ucrânia, que está à beira da falência, só vão ser assinados depois de se realizarem eleições legislativas.

Aproveitando a presença em Bruxelas de Yatseniuk, a euronews entrevistou em exclusivo o primeiro-ministro interino da Ucrânia.

Natalia Richardson-Vikulina, euronews:
“O que pode fazer a Ucrânia e a comunidade internacional para manter a Crimeia na Ucrânia?”

Arseni Yatseniuk, Primeiro-ministro interino Ucrânia
“Mas a questão não é só a Crimeia.”

Natalia Richardson-Vikulina, euronews:
“Mas o que se pode fazer agora em relação à Crimeia?”

Arseni Yatseniuk, Primeiro-ministro interino Ucrânia
“Falemos de segurança global. O que está a acontecer na Crimeia é um assalto armado feito pela Rússia. Isto é uma violação de todas as regras e leis internacionais. A questão chave para nós- e refiro-me a todo o mundo, não apenas à União Europeia ou aos Estados Unidos, mas a toda a comunidade internacional- é encontrar uma resposta apropriada para conter este tipo de assaltos. Na Crimeia, acreditamos que este será um conflito prolongado. Mas queria deixar claro que num curto ou médio prazo, vamos a ter o nosso território de volta.”

Natalia Richardson-Vikulina, euronews:
“A Ucrânia está pronta para as ações militares contra a Rússia , se necessário?”

Arseni Yatseniuk, Primeiro-ministro interino Ucrânia
“No caso da Rússia avançar com a guerra no continente, se atravessar a fronteira e começar a disparar contra militares e civis ucranianos vamos retaliar.”

Natalia Richardson-Vikulina, euronews:
Neste momento está pensar em avançar com algumas medidas de retaliação contra a Rússia? O regime de vistos, por exemplo?”

Arseni Yatseniuk, Primeiro-ministro interino Ucrânia
“A Rússia começou não apenas uma operação militar, a Rússia está a travar uma guerra em ambos os lados, políticos e económicos. Eu disse várias vezes que procuramos uma solução pacífica e que acreditamos que a melhor estratégia é começar as negociações, iniciar conversações reais para corrigir os problemas económicos e políticos, não para repor, mas para construir a partir do zero um novo tipo de relações entre a Ucrânia e a Rússia. Mas a Rússia tem sido “surda”. É como falar para uma parede.”

Natalia Richardson-Vikulina, euronews:
“Tem estado em contato com autoridades russas ?”

Arseni Yatseniuk, Primeiro-ministro interino Ucrânia
“Nós tentámos várias vezes. Só por uma vez consegui falar com o primeiro-ministro russo e disse-lhe claramente que era melhor para falarmos sobre as nossas relações económicas, mas que era necessário escolher o momento histórico- se começar a guerra com a Ucrânia ou parar a guerra com a Ucrânia. Mesmo assim, os russos estão muito relutantes em ter qualquer tipo de contato com o governo legítimo da Ucrânia. Mas, novamente, vamos esperar para ver. Vamos construir o nosso futuro na Ucrânia. Entendemos que a Rússia fará tudo para desestabilizar a situação na Ucrânia: vão tentar atingir o nosso comércio , a nossa política, o nosso exército, a nossa diplomacia. Foi isso que os soviéticos fizeram e é o que a Rússia vai fazer. Mas nós estamos prontos para enfrentar esse desafio e vamos encontrar uma solução adequada.”

Natalia Richardson-Vikulina, euronews:
“Espera que a União Europeia avance com sanções económicas contra a Rússia?”

Arseni Yatseniuk, Primeiro-ministro interino Ucrânia
“Esperamos que a comunidade internacional faça tudo para acabar com esta confusão criada pela Rússia. Porque esta é uma questão de segurança global, de economia global e este é um desafio para a Carta das Nações Unidas , a Organização das Nações Unidas, para Declaração de Helsínquia , a OSCE e os resultados da Segunda Guerra Mundial.”