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As festas do Noruz no Azerbaijão

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As festas do Noruz no Azerbaijão

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O Azerbaijão festeja o Noruz. A festa marca o ano novo persa e a chegada da primavera. Na capital do país, em Bacu, a historiadora Kamalya Islamzade, especialista em folclore, resume as origens das celebrações.

“O Noruz simboliza a rotação da terra em torno do sol, a mudança de estações e o início de um ciclo de trabalho nos campos. Os governantes costumavam interromper as batalhas, assinar tratados de paz e libertar prisioneiros durante o Noruz”, explicou a especialista.

A tradição do fogo sagrado é um ritual herdado do zoroastrismo, religião monoteísta da antiga Pérsia.

“Os fogos de Noruz devem ser ateados num local sagrado. Esta tradição pode ser comparada à tocha dos jogos olímpicos. Quando festejamos o Noruz fazemos sempre um fogo no templo do fogo Atechgah que foi no passado um templo zoroastra”, explica Rashid Babai, director do templo Atechgah.

Enquanto símbolo do calor e da vida, o fogo ocupa um lugar central no culto

O diretor do museu etnográfico de Gala, nos arredores da capital, resume o desenrolar do rito antigo.

“A chegada da primavera, do ano novo, o despertar da natureza, tudo isso era celebrado em torno do fogo no meio do círculo de pedras”, explicou Fikret Abdulaev.

Outra das tradições do Noruz é a demonstração de força masculina.
Os homens que exibem os músculos chamam-se “pehlivan” que significa “campeões” em persa.

“No Inverno o nosso corpo parece gelado e os pesos parecem mais pesados e é preciso mais esforço para levantá-los. Mas quando chega o Nowruz o nosso sangue começa a ferver, mostramos as nossas capacidades vencemos o inverno e ajudamos a primavera a impor-se”, disse Magomedali Ramazanli, um “pehlivan” de 60 anos.

Os rituais do ano novo passam também pela gastronomia, sobretudo pela doçaria tradicional. A repórter da euronews aprendeu a cozinhar uma das grandes especialidades locais, conhecida como a “rainha da mesa Noruz”.

“É indispensável durante o Nowruz fazer o shekerbura, um pastel em forma de meia lua que simboliza a chama do fogo. Um dos ingredientes principais é a paciência. É preciso muito tempo para criar estas formas que cada um realiza de um modo único”, contou Galina Polonskaya.

Além da gastronomia, há um sem fim de lendas e crenças associadas às festividades.

“Durante o Noruz as mulheres jovens escutam atrás das portas. Se alguém fala de casamento, isso significa que a jovem atrás da porta se vai casar no ano seguinte e algo de bom vai acontecer”, contou Azad Rzaev, professor de História na Universidade de Bacu.

Adivinhar o futuro é um dos desejos mais antigos da humanidade, os métodos variam mas o objetivo é sempre o mesmo. Um dos rituais da boa fortuna durante o Noruz passa por verter um jarro de água com moedas num rio ou no mar.

As raparigas lêm a sorte para saber se vão entrar na universidade ou se vão ter uma prenda ou um novo emprego”, explicou Firangis Alieva.

Além do Azerbaijão, o Noruz é celebrado nos territórios que estiveram ligados à antiga Pérsia, incluindo o Curdistão e o Afeganistão, passando pelas antigas repúblicas soviéticas do Tajiquistão, Uzbequistão Cazaquistão, e Quirguistão.