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Eleições Municipais França: Extrema-direita em ascensão

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Eleições Municipais França: Extrema-direita em ascensão

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Tradicionalmente, os eleitores franceses participam nas eleições municipais mas a tradição foi contrariada na primeira volta das eleições locais deste domingo: 38% de abstenção, um máximo histórico. Outro recorde: os resultado da Frente Nacional.
Os números globais mostram que o partido de extrema direita ficou muito perto dos 5%. O UMP conquistou mais de 46% dos votos e, de destacar, a Esquerda quase 38%.

Frederic Badi, diretor-adjunto do Instituto Francês de Sondagens, destaca “o recuo significativo da Esquerda, excepto em alguns bastiões. Segundo elemento: a subida da Frente Nacional, sobretudo, tendo em conta que o partido só está presente em 600 municípios, apenas um francês em cada 3 teve a possibilidade de votar na extrema direita. Ou seja, o resultado de 5% do FN, na realidade podia ser maior.

O crescimento da Frente Nacional é inegável: em Hénin Beaumont a vitória foi conseguida na primeira volta. Noutras oito autarquias o partido teve o melhor resultado e pode conquistar o poder, entre elas Perpignan ou Avignon. Além disso, existem outros municípios com grandes probabilidades de virar à direita, mas contrário será raro.

Hénin Beaumont é um exemplo flagrante: desde 1945 de Esquerda, os eleitores decidiram entregar já os destinos do munípio nas mãos do FN. A líder do partido Marine Le Pen acredita que este resultado é apenas um começo e terá o efeito de “bola de neve”: “o voto na Frente Nacional mostra que o partido não é apenas uma força nacional mas é também uma força local. Este voto espalha raízes em todo o território do país para preparar uma alternativa de futuro.”
E esta é a estratégia de Le Pen, ir ganhando terreno aos poucos até 2017.

Por outro lado, os dois grandes partidos franceses foram surpreendidos pelos resultados de domingo. Acusam-se, mutuamente, de responsabilidade pelo crescimento da extrema direita em França.
O primeiro-ministro francês, Jean Marc Ayrault defende que “nas regiões onde a Frente Nacional está em condições de ganhar a segunda volta, as forças democráticas e republicanas têm a responsabilidade de o impedir.”

Mas o lider do partido centro-direita UMP, Jean François Copé, não é da mesma opinião: “agora, na segunda volta, é importante que se passe do cartão amarelo para o vermelho, que os eleitores que no domingo votaram na Frente Nacional, agora votem massivamente nos candidatos do UMP de forma a mostrar a oposição à Esquerda.”

Ou seja, todos os candidatos do centro direita receberam indicações para se manter na corrida, não haverá alianças para tentar evitar mais conquistas da Frente Nacional. O partido está cada vez mais empenhado a mudar o tradicional panorama bipartidário francês.