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Humilhação de militares ucranianos até ao fim

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Humilhação de militares ucranianos até ao fim

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Os russos estão a terminar a tomada de controlo total da Crimeia, um mês de pois da destituição do presidente ucraniano Viktor Ianoukovitch.

De boa ou má vontade, os soldados ucranianos regressam a Kiev, com as famílias, por uma questão de segurança, já que foram expulsos das bases pelos russos ou pelas suas milícias.

Uma ucraniana entrevistada por um russo, mostra-se triste e desolada mas, essencialmente, não compreende porque é que ele lhe pergunta o nome. “No território ocupado é necessário dar o nome para se exprimir?”, questiona a residente.

A preocupação dos que restam, o azedume dos soldados por causa das ordens contraditórias, a execução do conhecido ativista Alexandre Muzytshko, conhecido por “Sacha Bely”, esta madrugada, e a tomada pelos russos da base aérea de Belbek, no sábado, agravam a situação.

Dos cerca de 20 mil soldados ucranianos destacados na Crimeia, 80% eram da região. Muitos vão ter de ser realojados com as famílias, por excluirem a possibilidade de integrar o exército russo.

Já não se vêem soldados de uniforme mas os russos, mesmo assim, não deixam de pressionar quem persiste em manter-se por perto das bases militares, nomeadamente jornalistas ou observadores em geral.

Mesmo os que estão de partida são pressionados.

Serguei, marinheiro ucraniano, queixa-se:
“Apesar de ser russo e os meus familiares viverem na Rússia, eu nunca servi a Rússia, sempre fui soldado da Ucrânia. Alistei-me na Marinha ucraniana”, alega Serguei.

O marinheiro Yevgeni demostra a mesma incredulidade: “Puseram-nos fora como se fossemos ratos. Não somos ratos. O que é suposto fazer, continuar aqui? Como é que isso ajuda a situação? Não faz regressar a Crimeia à Ucrânia”!

Até ao momento da partida são humilhados pelas milícias russas, num jipe com a nova bandeira dos ocupantes. Gritam: “Glória à Rússia”, em círculos, até à partida de todos.