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Eslováquia: extrema direita em extrema ascenção

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Eslováquia: extrema direita em extrema ascenção

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Martina Majerníková é estudante e participa numa manifestação contra Marian Kotleba: “Hoje em dia, os nazis na Eslováquia e em toda a Europa tentam agir politicamente. Já que as pessoas não têm qualquer alternativa em tempos de crise e com o fracasso da política, tendem a concordar com neo-nazis.

Estamos aqui porque Marian Kotleba foi eleito para uma alta posição política como governador de Banska Bystrica. É um antigo neo-nazi e fascista. Estamos aqui para dizer que não concordamos com isto. Defendemos a tolerância e não o ódio.”

Um outro tipo de demonstração tem lugar na cidade de Nitra, a algumas centenas de quilómetros da capital. Marian Kotleba é o homem forte do pequeno partido ultra-nacionalista: “Nossa Eslováquia”. Está presente para comemorar o aniversário da primeira independência eslovaca declarada em 1939, pelo regime pró-alemão de Josef Tiso.

A nossa presença despertou suspeitas e só conseguimos breves comentários do representante local do partido, Ján Keckes: “Queremos defender o povo eslovaco, destacar os valores tradicionais eslovacos e fazê-los prosperar. Queremos promover novas leis favoráveis ​​ao povo eslovaco.”

Apesar das repetidas solicitações, Marian Kotleba, recusou-se a ser entrevistado. Era também o líder de um pequeno grupo extremista que apareceu há cerca de dez anos e já foi banido. Apesar do seu partido atual agora respeitar a Constituição, é conhecido pela retórica contra qualquer inimigo da nação.

Começando pela comunidade cigana, descrevendo os ciganos como sendo “parasitas”.

Preso várias vezes no passado, nunca foi condenado. Tem controlado o discurso e apresenta-se como sendo o campeão de um estado justo e dos cidadãos denominados “decentes” e cristãos. O que lhe rendeu mais de 55% dos votos nas eleições regionais em novembro passado em Banska Bystrica, uma importante região da Eslováquia Central.

Foi um voto de protesto contra a má gestão e a corrupção de toda a classe política, diz Pavel Šedivý, um dos poucos apoiantes de Kotleba que aceitou falar. Um militar reformado que agora é locutor de rádio: “Desde a revolução, durante os últimos 25 anos, nada mudou na Eslováquia. E o pior é que tudo está a ser roubado, as Finanças Públicas foram saqueadas. Há políticos que roubam os ativos do país sem limites. E o sistema judicial está completamente fora de ordem. As pessoas não sabem o que fazer. Temos de recusar estas coisas, dizer “stop” e seguir em frente!”

Um sentimento reforçado pela crise económica, pela inflação, pela taxa de desemprego que atinge os 18% e pelos salários que são até duas vezes mais baixos do que em Bratislava.

A fábrica de armas é uma das poucas a prosperar aqui. Fabrica principalmente para o mercado dos desportos de tiro, diz o gerente Jaroslav Kuracina, mas também para o mercado da segurança privada. Jaroslav Kuracina é um ex fundador do partido Social Democrata atualmente no poder, agora apoia fortemente Marian Kotleba.

Diz ser o único que quer lutar contra a corrupção política que afeta as empresas locais e a economia. Também concorda com o líder, sobre a saída da zona euro: “A situação económica na Eslováquia deteriorou-se muito desde a entrada na União Europeia. Especialmente com a implementação de normas europeias, que liquidaram a maior parte das empresas eslovacas na indústria alimentar. Depois da entrada na União Europeia, a política era liquidar um grande número de empresas eslovacas, a maior parte está agora nas mãos de capital estrangeiro, que, por sua vez, beneficia com a mão de obra barata eslovaca”.

Um alvo recorrente de Marian Kotleba e dos seus partidários é a comunidade cigana, que representa 25% da população da região. Marginalizada, muitas vezes acusada de viver fora da sociedade, dois terços desta população está desempregada… Uma situação que ninguém tentou remediar, diz Milota, que vive num espaço sob ameaça de demolição. Diz ainda que Marian Kotleb é o menor dos seus problemas: “Para mim, Kotleba é apenas um homem normal. Ele só quer que haja ordem aqui, quer que as pessoas arranjem trabalho, que vão trabalhar. Quer que as crianças passem a ir à escola regularmente, é tudo. Se nos arranjar trabalho, tudo bem, só podemos ficar contentes. Mas aqui as pessoas só podem contar com os subsídios sociais. Saem à procura de trabalho e quando se candidatam a um emprego, ao telefone, dizem-lhes para irem trabalhar, mas quando vão são rejeitados, porque são ciganos. As pessoas fazem um esforço, mas não conseguimos chegar a lugar nenhum.”

As futuras conquistas de Marian Kotleba à frente da região serão um teste para o futuro político do seu partido.

Fora da corrida presidencial eslovaca deste ano, segundo o analista Grigorij Meseznikov, a perspetiva é que a popularidade do partido suba nas eleições legislativas de 2016: “Estão-se a aproximar do limite de 5%, ainda estão abaixo. Mas se a situação se deteriorar em algumas questões como a da comunidade cigana, ou do desenvolvimento regional, então não excluo a possibilidade que, nas próximas eleições, este partido se sente no parlamento.”

Enquanto isso, o partido de Marian Kotleba está determinado a apresentar os candidatos às próximas eleições europeias.

Marian Kotleba afirma:“O próprio Hitler não se permitiu a si mesmo o que a União Europeia está a fazer hoje. Na altura, não havia nenhuma bandeira alemã à frente de todas as Instituições públicas eslovacas. Olhe para a Eslováquia agora! Em cada prédio administrativo, existe esta vergonhosa bandeira azul da ocupação! Menos em Banska Bystrica. Queremos lutar para reconquistar a independência da Eslováquia. Para uma melhor Eslováquia, a nossa Eslováquia.”