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NATO versus Rússia

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NATO versus Rússia

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Enquanto em Kiev se receia que a Rússia não fique pela ocupação da Crimeia, a NATO mostra firmeza. Na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, a situação continua tensa. Os guardas ucranianos afirmam que os militares russos reforçaram as posições. Ontem, o presidente Obama esteve em Bruxelas onde, depois de afastar, mais uma vez, a intervenção militar, apelou aos membros da NATO para se unirem numa frente comum.

“O que faremos, acima de tudo e sempre, é cumprir a nossa suprema obrigação. O nosso artigo 5° obriga-nos a defender a soberania e a integridade territorial dos aliados, e não faltaremos a esta promessa. As nações da NATO devem permanecer juntas. Os aviões da NATO estão a patrulhar os países bálticos e reforçámos a nossa presença na Polónia. E estamos preparados para fazer mais”.

Desde meados de março, os aviões da Aliança Atlântica sobrevoam a região, limitando-se, escrupulosamente, aos espaços aéreos dos países membros. Estão em missão de reconhecimento e demonstração de força a Moscovo.

As relações tensas entre a Rússia e a NATO datam da guerra fria. A Rússia recebeu, em troca da aceitação da entrada da Alemanha reunificada na Aliança, a garantia de que esta nunca se iria expandir a leste.

Mas os membros fundadores da Aliança Atlântica do Norte, receberam, desde 1999, três novos membros saídos do Pacto de Varsóvia: a Polónia, a República Checa e a Hungria. Há 10 anos, a NATO chegou mesmo às fronteiras da Rússia, com a adesão da Bulgária, da Roménia e da Eslováquia, os três Estados bálticos. Em 2009, a Albânia e a Croácia entraram também.
Por outro lado, os aliados pensam na possibilidade de absorção de outras

Além da Ucrânia, também os os aliados temem a absorção de mais regiões russófonas (Transnistria e Abecásia).

Philip Breedlove, NATO Comandante Supremo das Forças da NATO e general norte-americano, expressa as dúvidas:

“Permitam que lhes diga: estamos muito preocupados. Sabemos que a capacidade de o fazer é real e coloca problemas. Não sabemos se há intenção, mas já observamos uma retórica muito semelhante à utilizada aquando da entrada na Crimeia”.

Para os ocidentais é dificil colocar em questão o direito à autodeterminação dos russófonos da Crimeia. Em 2008, apoiados pelo Ocidente, tiveram direito à independência, um precedente horrível para Putin, que classificou como “um boomerang que havia de lhes cortar a garganta”.

A NATO só pode atuar se um dos membros for afetado. É pouco provável que Putin corra esse risco. Mas isso não apazigua o receio sentido nos países bálticos.