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As eleições locais deste domingo, na Turquia, são muito mais que isso: são um teste à popularidade do primeiro-ministro, Recep Tayyp Erdogan, e às ambições de se candidatar à presidência, em setembro.

Os resultados, em Ancara e Istambul, as duas maiores cidades do país, vão ser cruciais.

O principal adversário do AKP de Erdogan é o Partido Republicano do Povo, que tem boas hipóteses de vencer nas duas metrópoles. Se isso acontecer, o futuro político de Erdogan fica seriamente comprometido…

O país está a passar por um dos períodos mais agitados dos últimos anos. O episódio mais recente, que chocou a comunidade internacional, foi o bloqueio de duas das mais plataformas da Intenet: primeiro o Twitter, depois o Youtube.

O governo passou ainda pelo choque dos protestos em massa no Parque Gezi, de Istambul, em maio do ano passado, e mais recentemente por escândalos de corrupção.
Com a euronews, Aslı Aydintasbas, analista do jornal Milliyet:

euronews – Há eleições locais na Turquia, este fim de semana. Mas o ambiente que se vive é idêntico ao das eleições legislativas. O partido no poder e a oposição partilham esta ideia. Que nos diz sobre isto?

Aslı Aydintasbas – Exatamente, estamos para além das eleições locais, ou seja, numa encruzilhada importante para a democracia turca. Estas eleições, de um certo modo, estão ligadas a uma pessoa: Tayyp Erdogan. O que está em jogo nestas eleições é se queremos uma Turquia representada por Tayyip Erdogan e se apoiamos o seu modo de governar. Claro que os candidatos locais são igualmente importantes, principalmente nas pequenas comunas, onde as pessoas decidem em função dos candidatos e serviços que esperam obter. Mas, nas grandes cidades, onde vive a a maioria da população turca, este voto será um voto de confiança para Erdogan.

euronews – Os partidos vêem estas eleições como uma questão de vida ou de morte. O que está em jogo? Porque é que todos utilizam uma linguagem tão dura?

Aslı Aydintasbas – O que está em jogo, na minha opinião, são as liberdades e os direitos fundamentais, a democracia. Do meu ponto de vista, um país não é uma democracia se o twitter é interdito, se as empresas adversárias são sancionadas com importantes penalidades fiscais, se os jornalistas são presos, se os empresários são ameaçados. Para os que pensam como eu, este voto é uma questão de sobrevivência.

euronews – A nível internacional, a proibição do twitter e os incidentes de Gezi fizeram grandes manchetes. Se a situação persistir depois das eleições, o que se vai passar na Turquia?

Aslı Aydintasbas – Não discutimos suficientemente o assunto. Mais, a Turquia já desistiu, aos olhos da comunidade internacional, infelizmente.
A interdição do twitter foi a última gota de água no copo já cheio. A imagem da Turquia já se tinha degradado bastante, antes do twitter. O governo não imagina a que ponto é nociva a utilização da força contra as pessoas, que querem proteger um parque no coração de Istambul, o uso de jatos fortes de água sobre elas, considerados produto de um regime autoritário pela opinião pública ocidental.
O governo nem se dá conta da gravidade da proibição do twitter para quem quer investir na Turquia, para o ocidente, para os aliados, para a União Europeia, à qual, tecnicamente, ainda é um candidato a membro.

euronews – Pensa que as alegações de corrupção vão ter importância na hora de votar?

Aslı Aydintasbas – Desde que a economia esteja bem, os eleitores não têm em conta os problemas de corrupção no momento de votar, nos países em desenvolvimento. Por outro lado, quando a economia vai mal, levam a sério as acusações de corrupção e punem os responsáveis. Não considero que toda a gente conheça essas alegações na Turquia. Mas a discussão ainda se vai prolongar até às eleições legislativas e presidenciais.

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