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França: Segunda volta das autárquicas pressiona Hollande

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França: Segunda volta das autárquicas pressiona Hollande

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França está de volta às urnas este domingo. É a segunda volta das eleições autárquicas, as quais estão a ficar marcadas pela baixa participação, pela prevista queda do Partido Socialista (PS), do Presidente François Hollande, e pelo crescimento sem precedentes da Frente Nacional (FN), a principal força política da extrema-direita.

Há uma semana, na primeira volta, a abstenção foi de 36,4 por cento. O maior prejudicado foi o PS, com os eleitores que há dois anos o elegeram para formar Governo nos Campos Elísios a virar-lhe as costas desta vez e a castigarem as políticas seguidas pelo presidente François Hollande. Os socialistas não chegaram, há uma semana, aos 39 por cento e perderam seis pontos face aos resultados de 2008. Por outro lado, a centro-direita conseguiu 46,4 por cento.

Em Paris, por exemplo, a favorita a liderar o “Hotel de Ville” é a socialista Hanne Hidalgo, a “vice” do até agora presidente da câmara da capital, o socialista Bertrand Delanoé, que passou dois mandatos (12 anos) no lugar, mas a oposição é forte. Nathalie Kosciusko-Morizet, conhecida como “NKM”, é a cabeça de lista da União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, e obteve melhores resultados no primeiro turno. A disputa pela capital está, ainda assim, em aberto.

A baixa participação dos 40 milhões de eleitores beneficiou, como se esperava, os partidos mais pequenos. Em particular, a FN, de Marine Le Pen, que era a cabeça de lista no município de Hénin-Beaumont e assegurou a chefia da “mairie” logo à primeira volta, multiplicando por cinco os resultados do partido de há seis anos a nível nacional.

A abstenção pode ser vista como uma forma de os franceses castigarem as políticas seguidas pelo presidente Hollande, como nos disse a eleitora francesa Marie-Hélène Tasseel: “Há muita gente farta e sem saber para onde se virar. Muitas das promessas feitas [pelo governo] ficaram por cumprir. As pessoas acabam por confundir tudo e misturam estas autárquicas com as outras eleições.”

Josiane Chatelain, outra eleitora, reforça a ideia: “Deveriam ser apenas municipais, mas estas eleições vão dar também a possibilidade de perceber o que as pessoas pensam do mundo da política.”

A anunciada derrocada socialista nestas autárquicas poderá custar o lugar ao primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault. O chefe de governo é um dos nomes integrados no grupo que tem sido apontado como descartável por François Hollande, cuja progressiva queda de popularidade entre os franceses tem arrastado o próprio país.

O Presidente de França está pressionado a proceder a uma reformulação do executivo eleito há dois anos e, a confirmar-se, o desastre socialista nas presentes eleições pode precipitar essas mudanças.