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Cimeira UE-África dominada pela crise na RCA

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Cimeira UE-África dominada pela crise na RCA

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A crise na República Centro-Africana (RCA) dominou o início dos trabalhos da IV Cimeira União Europeia – África. Mais de 80 dirigentes africanos e europeus reúnem-se, esta quarta e quinta-feira em Bruxelas, sob o lema “Investir nas Pessoas, na Prosperidade e na Paz”.

Ao longo dos últimos 10 anos, os europeus mobilizaram 1,2 mil milhões de euros para o Mecanismo para a Paz em África. Atualmente, há nove missões em curso. Ontem, e apesar dos atrasos, os europeus oficializaram o envio de mil soldados para a RCA.

O presidente em exercício da União Africana, Mohamed Ould Abdel Aziz, explica que “não se pode falar de desenvolvimento sem falar de segurança porque é a base de tudo. É verdade que, na região do Sahel, houve enormes problemas de segurança, não apenas nos últimos meses mas praticamente na última década”.

UE-África: um casamento de conveniência

O objetivo da cimeira é relançar parcerias económicas entre os dois continentes, depois de uma severa crise na Europa e do impressionante despertar económico de África. Mas a corrida ao gigante africano conta com novos concorrentes como a China. Os europeus relembram que África é o continente que mais beneficia da ajuda europeia ao desenvolvimento.

Porém, Sanoussi Bilal, do Centro Europeu para a Gestão de Políticas de Desenvolvimento, aponta que “há demasiada conversa agradável sobre desenvolvimento e parcerias”. O analista acrescenta: “O que falta na cimeira é debater os problemas reais, como quais são as próximas oportunidades? E como é que uma nova geração de líderes, tanto em África como na Europa, pode fazer com que esta relação traga vantagens para ambos os continentes”. Por isso, Sanoussi Bilal não manifesta grandes expectativas quanto às conversações que decorrem nestes dois dias.

Recursos naturais em África: riqueza ou fragilidade?

Outros temas em debate são a luta contra a imigração clandestina, as alterações climáticas, o ensino, a formação e a criação de emprego, numa África rica em recursos naturais, fontes de inúmeros conflitos.

Em termos comerciais, África representa dez por cento do comércio externo europeu. Para o continente africano, a União Europeia permanece a principal fonte de importação (34 por cento) e o principal mercado de exportação (40 por cento), apesar da investida da China. O PIB africano cresceu 5,2 por cento por ano entre 2003 e 2012, mas os conflitos étnicos, os golpes de Estado, o terrorismo, os tráficos e a pirataria marítima travam o investimento.

Na cimeira marcam, ainda, presença o presidente de Moçambique, Armando Guebuza, o vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, o chefe de Estado de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca e o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho.