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Decisões israelitas ameaçam paz no Médio Oriente

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Decisões israelitas ameaçam paz no Médio Oriente

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Confrontos entre manifestantes palestinos e as forças militares israelitas fizeram pelo menos cinco feridos próximo da cidade de Ramallah, na Cisjordânia. As negociações de paz em curso para o Médio Oriente, com mediação norte-americana, sofreram um revés nestes últimos dias e muito por causa de algumas decisões oriundas do Knesset, o parlamento israelita em Jerusalém.

Cerca de duas centenas de palestinos concentraram-se junto da prisão de Ofer a exigir a libertação de compatriotas ali detidos. A manifestação surgiu na sequência do recuo de Israel em cumprir a promessa de libertar um quarto lote de 26 palestinos detidos há vários anos.

A promessa havia surgido no lançamento das mesa das negociações de paz. A mediadora de paz israelita, Tzipi Livni, fez saber, entretanto, que o recuo se deveu ao surpreendente pedido de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana, para que as Nações Unidas reconhecem o Estado da Palestina em cerca de 15 convenções e tratados internacionais.

Para o mediador de paz palestino, o regresso das conversações ao cainho da paz para o conflito que se arrasta junto à Faixa de Gaza passa agora por Israel rever a sua posição. “O secretário de Estado norte-americano John Kerry tem feito enormes esforços e nós agradecemos-lhe a dedicação na busca de uma solução. Mas essa solução tem de ser acertada entre a Palestina e Israel. Nós já andamos nisto há muito e o nosso reconhecimento do Estado de Israel vem de 1967”, afirmou Saeb Erekat, passando desta forma “a bola” para Jerusalém.

De visita a Marrocos, John Kerry, por seu turno, revelou preocupação. “Nos últimos dias, infelizmente, ambos os lados deram passos que não ajudam ao processo de paz. Isso é evidente. Por isso, vamos reavaliar com muito cuidado em que pé estamos nestas conversações e tentar perceber qual o caminho que ainda poderemos seguir rumo à paz no Médio Oriente”, afirmou em Rabat o responsável pela diplomacia norte-americana e um dos maiores impulsionadores das recentes reuniões entre a Palestina e a Israel para se chegar a um compromisso de paz para o Médio Oriente .

O secretário de Estado norte-americano deixou também uma mensagem muito clara ao Knesset de que o conflito junto à Faixa de Gaza não pode prolongar-se de forma indefinida. Uma mensagem que serve também, claro, para os palestinos, que, ainda assim, revelaram esta sexta-feira mais uma razão de queixa das decisões tomadas em Jerusalém e esta à margem do conflito territorial. De acordo com fontes da Autoridade Palestiniana, o atleta Nader al-Masri, de 34 anos, que em 2008 representou a Palestina nas Olimpíadas de Pequim, viu negado por Israel o pedido para sair da Faixa de Gaza com vista a participar na maratona de Belém, na Cisjordânia.

As autoridades israelitas alegaram que Al-Masri não cumpre os requisitos estabelecidos pelo Knesset para permitir aos palestinos atravessar o bloqueio imposto por Jerusalém à Faixa de Gaza desde 2007, quando o Hamas assumiu o controlo daquele território.