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Ruanda: Paris só envia embaixador ao aniversário do genocídio

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Ruanda: Paris só envia embaixador ao aniversário do genocídio

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A França só será representada pelo seu embaixador na cerimónia, em Kigali, para assinalar os vinte anos do genocídio no Ruanda.

O aniversário da tragédia é motivo de tensão entre os dois países, depois do presidente ruandês ter acusado a França de participar juntamente com a Bélgica – antiga potência colonial – na preparação do massacre que fez 800.000 mortos em 1994.

O governo francês anulou a deslocação prevista da ministra da Justiça, afirmando que as declarações de Paul Kagamé “são contrárias ao processo de diálogo e reconciliação encetado há vários anos”.

Paris e Kigali tinham feito uma frágil reaproximação em 2010, quando Kagamé foi recebido no Eliseu pelo então presidente Nicolas Sarkozy.

A atriz Carole Karemera, uma das poucas defensoras da língua francesa no seu país de origem diz que “é um idioma que estava de certa forma estigmatizado como sendo o idioma do poder [no Ruanda], que deixou acontecer ou facilitou o genocídio. Mas agora é preciso dizer que já não estamos na época da ‘África francesa’”.

Vinte anos depois do genocídio perpetrado por extremistas hutus contra a minoria tutsi, Paris e Kigali mantêm posições antagonistas sobre o papel da França e da sua operação militar e humanitária no Ruanda.