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França: PM anuncia fim das cotizações sociais para quem ganhe o salário mínimo

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França: PM anuncia fim das cotizações sociais para quem ganhe o salário mínimo

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No primeiro discurso perante a Assembleia Nacional, antes do voto de confiança no remodelado governo ter passado no Parlamento francês, o recém empossado chefe do executivo, Manuel Valls, considerou que, nas autárquicas onde os socialistas sofreram uma derrota, os franceses expressaram “medo em relação ao seu futuro e dos seus filhos” à medida que vão vendo uma “folha de salários baixos e impostos altos”.

Recordando as palavras de Pierre Mendes France, há cerca de 60 anos, o atual primeiro-ministro afirmou que tem “a obrigação de dizer a verdade aos franceses”.

E a “verdade” é que a França atravessa um momento de “urgência”, que exige “soluções eficazes”. Valls quer por isso concentrar-se no essencial, que para o chefe do governo passa por devolver a “confiança no futuro”.

“Sem crescimento não há confiança. Sem confiança não há crescimento”, afirmou

Quanto ao “pacto de responsabilidade” proposto pelo Presidente e cujas “prioridades são o crescimento, o emprego e o poder de compra”, Valls detalhou que, já a partir de janeiro de 2015, as empresas vão deixar de pagar cotizações sociais pelos funcionários que ganhem o salário mínimo, entre outras medidas para favorecer as famílias com rendimentos mais baixos.

Em relação às poupanças de 50 mil milhões de euros na despesa até 2017, Valls afirmou que serão “esforços partilhados por todos”.

O “pacto de responsabilidade”, anunciado no início do ano por François Hollande, prevê relançar o emprego em troca de uma redução das contribuições sociais das empresas, para as tornar mais competitivas. Um projeto em que o Presidente também pretende conseguir poupanças na despesa de 50 mil milhões de euros nos próximos três anos sem aumentar os impostos, uma aritmética que está por esclarecer.

Antigo ministro da Administração Interna, Valls também abordou um tema que deu muitos votos à Frente Nacional de Marine Le Pen: A criminalidade, que aumenta e alastra em França – e que, segundo o primeiro-ministro, é outro dos elementos a afetar a “moral” dos franceses em relação ao “futuro”.

Foi um discurso de esperança de Manuel Valls antes da passagem ao voto.

A maioria socialista no Parlamento foi mais do que suficiente para garantir o voto de confiança, mas com maior oposição, no campo da esquerda, do que em julho de 2012, aquando do voto no governo de Jean-Marc Ayrault, que foi agora substituído por Manuel Valls, um dos mais populares políticos franceses neste momento.

A moção de confiança passou com 306 votos a favor, 239 contra e 26 abstenções.