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Empresárias podem acelerar a revolução no Mediterrâneo

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Empresárias podem acelerar a revolução no Mediterrâneo

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Não é de espantar que Luma Sukarieh, estudante jordana de arquitetura e engenharia, com 20 anos, queira “criar” energia. O sorriso quente, o dinamismo e alegria com que descreve o seu projeto de reciclagem com aplicação na construção civil evidenciam a vontade de inovar, de criar oportunidades e de melhorar a vida em sociedade.

A jovem venceu o primeiro prémio do projeto “Jovens Mulheres que Criam Emprego”, promovido pela Associação de Organizações de Mulheres Empresárias do Mediterrâneo (AFAEMME), que assinalou o fim da primeira fase de um projeto lançado há um ano. O objetivo é promover o empreendedorismo e o auto-emprego entre raparigas que estão a terminar os estudos universitários.

“Aprendi que o mais importante é conhecer o mercado, saber qual o nicho onde há necessidade de ideias novas e aproveitar esse espaço. E também temos que saber promover a nossa ideia nas redes sociais, tais como o Twitter ou Facebook, e conseguir convencer investidores”, explica Luma Sukarieh, orgulhosa do prémio por ter criado, com outras três raparigas, um projeto de sustentabilidade a dois níveis.

Por um lado, é feita a reciclagem de vidro usado de modo a criar painéis que serão usados em habitações. Poupam-se recursos ao dar uma segunda vida à matéria-prima. Por outro lado, serão incorporados nesses painéis células fotovoltaicas que captam a luz solar e permitem poupar no consumo de outras fontes energéticas.

Dar as ferramentas

“Durante a formação ensinamos quais as ferramentas necessárias para colocar em prática uma boa ideia através de um projeto empresarial e as jovens percebem que não é tão difícil como pensam. Com apoio para procurar financiamento e alguém com quem tirar dúvidas, podem avançar facilmente”, explica Maria Helena de Felipe Lehtonen, presidente da AFAEMME.

“Noventa por cento das jovens têm sobretudo inquietações com o financiamento. Não duvidam das suas capacidades. Por isso ajudamo-las a contactar as associações empresariais, bancos e investidores”.

Além do diploma, que recebeu durante a Conferência “Fortalecimento Sócio-Económico das Mulheres” levada a cabo pela União para o Mediterrâneo (UPM), em Barcelona, Luma Sukarieh terá acesso a um estágio de seis meses no Banco Europeu de Investimento, no Luxemburgo, se a sua família permitir que viva no estrangeiro.

Projeto avança para mais sete países

A primeira fase do projeto decorreu em 32 universidades de Jordânia, Marrocos, Palestina e Espanha, mas será alargado em 2014 à Albânia, Egito e Tunísia. Em 2015 juntar-se-ão Turquia, Argélia, Líbano e Croácia. O projeto é apoiado pela UPM, organização que reúne os 28 estados-membros da União Europeia e 15 países do Norte de África, Médio Oriente e Sudeste Europeu.

“A UPM acredita que dar mais espaço e visibilidade às mulheres não é uma questão apenas de direitos humanos, mas também algo que traz enormes benefícios sociais e económicos. Também cabe às mulheres fazer a transferência de conhecimento para as novas gerações e gerar riqueza, muita vez com novas atividades que permitem criar mais emprego”, explica Delphine Borione, vice-secretária-geral da UPM.

Apenas 25% das mulheres do sul do Mediterrâneo trabalham ou procuram emprego, a taxa mais baixa do mundo. Estatísticas reveladas durante a conferência indicam que na Jordânia apenas 14,1% das mulheres estão no mercado de trabalho, contra 61,3% dos homens. Outro exemplo é Marrocos, onde apenas 24,7% das mulheres estão no mercado de trabalho, contra 73,6% dos homens.

Acelerar a revolução

“Há muito a fazer ao nível da educação, que já está a melhorar, mas sobretudo na passagem para o mundo do trabalho. Com essa conquista as mulheres terão também mais participação nas decisões políticas e noutras áreas da sociedade. A Primavera Árabe é uma transição que ainda não está concluída e devemos apoiar todas as forças que trabalham no sentido da democratização, do respeito dos direitos humanos e da inclusão”, refere Delphine Borione.

A conferência “Fortalecimento Sócio-Económico das Mulheres” reuniu 200 participantes, nos passados dias 26 e 27 de Março, entre governantes, ativistas, empreendedores e académicos. Na sessão foi lançada uma nova iniciativa da UPM chamada “Competências para o Sucesso e Empregabilidade das Mulheres”, em parceia com a América Mid-East Educational and Training Services, que visa combater o desemprego feminino na Jordânia, Tunísia, Marrocos, Egito e Líbano.

A formação será dada a raparigas dos 15 aos 20 anos, que tenham completado os estudos secundários e vai ensinar Inglês, informática e técnicas de desenvolvimento de negócio.

“Dentro de 10 anos quero ter a minha empresa de reciclagem, que me dê dinheiro, e ser uma boa arquitecta, com doutoramento”, planeia Luma, jovem da classe média jordana, com pai empresário e mãe em casa a cuidar da família de seis filhos (quatro raparigas e dois rapazes).

“E muito difícil conciliar a vida profissional e a vida familiar quando se é mulher. Ser empreendedora é um desafio acrescido. Os homens só têm que ganhar dinheiro, mas as mulheres têm que cuidar da família ao mesmo tempo. Mas foi muito bom vir a esta conferência conhecer as experiência de mulheres tão bem sucedidas. Agora acredito que posso fazer o mesmo quando chegar à idade delas!”, remata a estudante.