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República Centro-Africana: ONU defende evacuação mas França prefere proteção

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República Centro-Africana: ONU defende evacuação mas França prefere proteção

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As Nações Unidas (ONU) defenderam na semana passada a evacuação urgente de 19 mil muçulmanos cuja vida está sob ameaça na República Centro-Africana (RCA). A França, que tem o maior contingente de capacetes azuis não africanos neste país em conflito sangrento há cerca de um ano, defende por outro lado o reforço das forças de paz, alegando que a prioridade deve ser a garantia de segurança das pessoas no próprio território.

Os dois argumentos vão estar em discussão esta quinta-feira , de manhã, em Nova Iorque, na sede da ONU, com os franceses a colocar a votação uma proposta de reforçar as forças de paz na RCA com mais 12 mil capacetes azuis, a somar aos 2 mil franceses e 6 mil elementos da MISCA, a missão internacional africana criada de propósito para apoiar a República Centro Africana.

A França não coloca de parte apoiar a evacuação dos muçulmanos, proposta pela ONU, mas apenas como último recurso. A prioridade deve ser evitar mais derrame de sangue na RCA. Os comerciantes no distrito PK 5, um conhecido bairro de predominância muçulmana, também preferem mais segurança, para que o comércio, suspenso em grande parte devido à violência, volte a fazer-se com normalidade

“A solução passa por mais medidas de segurança. Isso é o mais importante.
Precisamos de segurança. Muçulmanos ou cristãos, estamos todos juntos neste problema e podemos voltar a abrir o comércio, mas se houver segurança”, afirmou Johnny Mamene, um comerciante cristão do distrito PK 5.

Também cristão, Gustave Yaloba, sublinha que o ambiente na zona até já está melhor: “Sou cristão, mas estou a viver entre muçulmanos aqui no PK 5. O que revela que a paz está a começar aos poucos a regressar.”

As milícias cristãs anti-Balaka – cada vez mais e melhor armadas – controlam a maior parte das saídas da capital Bangui e têm atacado os comboios de muçulmanos que tentam escapar da capital sob proteção de forças militares do Chade. A ONU defende por isso um apoio mais direto a estes comboios.

A França defende, por outro lado, a segurança do território como prioridade, para garantir um melhor bem estar às pessoas que permanecem no território e garantir a circulação dos comboios, sim, mas de ajuda humanitária.

Os rebeldes muçulmanos Seleka tomaram o poder na RCA há cerca de um ano, perpetrando vários ataques contra a maioria cristã, o que conduziu a respostas violentas por parte de rebeldes cristãos, nomeadamente por parte do grupo anti-Balaka. O resultado foram centenas de mortos e dezenas de milhares de deslocados.

O grupo Seleka cedeu o poder em janeiro a um governo civil interino. Mas o novo executivo, apesar de suportado pelas forças de paz internacionais, não conseguiram pôr cobro à violência no país, em especial aos ataques a muçulmanos pelos grupos afetos aos rebeldes anti-Balaka. O conflito continua.