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Brasil: Evacuação de prédio da Oi gera confrontos com o BOPE

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Brasil: Evacuação de prédio da Oi gera confrontos com o BOPE

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Um bebé de seis meses esteve entre as sete pessoas que tiveram de ser assistidas esta sexta-feira, no norte do Rio de Janeiro, Brasil, após uma operação policial para evacuar um prédio ocupado de forma ilegal há duas semanas por cerca de cinco mil pessoas, incluindo famílias.

Por decisão judicial, mais de 1600 operacionais do BOPE (o Batalhão de Operações Policiais Especiais, da polícia militar do Rio de Janeiro) estiveram envolvidos na operação, que arrancou ao início da manhã, pelas 06h30 locais (10h30 em Lisboa). Cerca de 2500 pessoas estavam na altura no prédio situado na rua 2 de maio, no bairro do Engenho Novo.

Alguns dos “ocupas” reagiram mal à ordem de evacuação, resistiram e houve confrontos com os “policiais”. Pelo menos cinco veículos foram incendiados, houve lojas saqueadas e as montras de alguns bancos da zona foram partidas.

Coquetéis molotov foram atirados contra os elementos da polícia militar, que responderam com bombas de gás lacrimogéneo e tiros com balas de borracha. Os “ocupas” provocaram pequenos incêndios no edifício para dificultar a operação policial. Alguns balanços avançados por meios de comunicação brasileiros apontam para pelo menos 19 feridos, entre eles 12 agentes de autoridade.

Dos sete que sabe terem recebido assistência médica no local, três adultos tiveram de ser encaminhados para a Unidade de Pronto-Atendimento do Engenho Novo e uma criança de 9 anos foi para Hospital Salgado Filho, no bairro vizinho de Méier.

Sandro Sousa, um dos “ocupas” do prédio, não ganhou para o susto: “Eles entraram a partir tudo e a expulsar as pessoas. Graças a Deus, estava com o meu filho ao colo e não aconteceu nada connosco. Mas dos outros não sei nada. Porque estamos aqui? Porque somos da ‘Baixada Fluminense’. Perdemos a nossa casa nas cheias e agora estamos a tentar encontrar uma casa. Sabemos que não podemos ficar a viver na casa de outras pessoas.”

O prédio ocupado é propriedade da OI, a empresa brasileira anteriormente conhecida como Telemar, que é agora controlada pela Portugal Telecom (PT) e presidida pelo português Zeinal Bava.

Ocupado de forma ilegal no final de março e batizado pelos “ocupas” como “a favela da Telerj”, o prédio estava abandonado há mais de 10 anos. No passado dia 4, um tribunal do Rio de Janeiro ordenou a “reintegração de posse” favorável à Oi, o que levou à operação desta sexta-feira e que culminou na detenção de mais de 20 pessoas.

Este foi mais um episódio de violência no Brasil, quando faltam 61 dias para o arranque do Mundial de Futebol. O primeiro jogo da maior competição de futebol do planeta está marcado para 12 de junho, em São Paulo, colocando frente-a-frente o anfitrião Brasil à Croácia.O primeiro jogo a ser disputado no Rio de Janeiro joga-se três dias depois no mítico Maracanã e opõe a Argentina à Bósnia-Herzegovina.